A saída de Filipe Luís do comando do Flamengo pegou de surpresa não apenas o treinador, mas também parte significativa do elenco e funcionários ligados ao futebol do clube. O comunicado aconteceu de madrugada, por volta da 1h, em uma conversa que durou menos de um minuto com o diretor José Boto.
Nos bastidores, o sentimento predominante foi de incredulidade. Líderes do elenco entraram em contato com o técnico para prestar apoio. Não houve despedida formal no vestiário. A reapresentação do grupo, inicialmente marcada como folga, foi antecipada após a decisão da diretoria.
O desgaste começou meses antes
Embora a goleada sofrida no início da temporada tenha sido apontada como fator determinante, o desgaste entre treinador e diretoria começou ainda em dezembro, durante a negociação de renovação contratual.
As conversas se arrastaram por meses. O novo vínculo foi assinado apenas no fim do ano passado, após momentos de incerteza. Internamente, houve incômodo com vazamentos de informações e divergências na parte financeira. O contrato, que previa permanência até 2027, durou pouco mais de dois meses.
Naquele mesmo período, o presidente Bap já sondava outros nomes, entre eles o português Leonardo Jardim, hoje o mais cotado para assumir o cargo.
Interferências e clima no CT
Outro ponto de atrito foi a decisão de utilizar o elenco principal ainda nas primeiras rodadas do Campeonato Carioca, após início irregular da equipe sub-20. A mudança partiu da presidência e contrariou o planejamento inicial do departamento de futebol.
Com o passar das semanas, a relação entre Filipe Luís e José Boto também se desgastou. O dirigente, homem de confiança do presidente, passou a se distanciar do treinador. Internamente, há críticas à forma de comunicação e à condução do dia a dia no centro de treinamento.
Entre os jogadores, o ambiente já não era unanimidade. Embora muitos tenham manifestado apoio ao técnico, havia atletas incomodados com perda de espaço e com métodos adotados no trabalho.
Resultados pesaram na decisão
A avaliação da diretoria é que o investimento realizado exigia desempenho superior. Reuniões no CT tiveram tom de cobrança mais intenso. Desde que assumiu a presidência, Bap não via Filipe Luís como primeira escolha, mas a conquista da Copa do Brasil em 2024 sustentou a permanência naquele momento.
O episódio marca mais um capítulo de instabilidade no comando técnico do Flamengo e reacende o debate sobre planejamento, interferência política e gestão esportiva no clube.
