O Ibovespa alcançou uma nova máxima histórica nesta sexta-feira (23), ao fechar aos 178.859 pontos, em alta de 1,86%. O resultado marcou o quinto pregão consecutivo de valorização e consolidou um avanço superior a 8% na semana. Já o dólar encerrou o dia praticamente estável, com leve alta de 0,05%, cotado a R$ 5,2867.
O movimento reflete um cenário mais favorável para ativos de risco, impulsionado tanto por fatores externos quanto pelo fluxo de capital estrangeiro para o mercado brasileiro. Ao longo do dia, investidores monitoraram dados econômicos dos Estados Unidos, além de sinais de redução das tensões geopolíticas, que ajudaram a sustentar o apetite por ações.
Nos Estados Unidos, o índice de gerentes de compras (PMI) subiu para 52,8 em janeiro. Embora o número tenha ficado levemente abaixo das projeções do mercado, ainda indica expansão da atividade econômica. Além disso, o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan avançou para 56,4, acima da leitura preliminar, reforçando a percepção de resiliência da economia americana.
Esses indicadores, portanto, contribuíram para ajustar as expectativas sobre crescimento e política monetária nos EUA, com impacto direto sobre o comportamento do dólar e os fluxos para mercados emergentes, como o Brasil.
Blue chips puxam alta com apoio do cenário externo
No mercado doméstico, o desempenho do Ibovespa foi impulsionado principalmente pelas chamadas blue chips, ações de empresas grandes e consolidadas. Os papéis da Petrobras registraram forte alta, superior a 4% na sessão, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. Com isso, o índice renovou sucessivamente suas máximas ao longo do pregão.
Além disso, a percepção de menor risco global ajudou a reforçar o movimento. Na véspera, declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reduziram as preocupações com novos atritos comerciais e geopolíticos. O republicano descartou o uso de força militar em relação à Groenlândia e suspendeu tarifas que estavam previstas para países europeus, o que trouxe alívio aos mercados.
Outro fator acompanhado de perto foi o início das negociações trilaterais entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia, em Abu Dhabi. Embora ainda não haja detalhes concretos sobre possíveis avanços, o simples fato de as conversas terem começado ajudou a reduzir a percepção de risco associada ao conflito, que se aproxima de quatro anos.
Enquanto isso, o dólar apresentou variação limitada ao longo do dia, refletindo o equilíbrio entre o cenário externo mais benigno e a valorização recente dos ativos brasileiros. Na semana, a moeda americana acumulou queda de 1,60%, enquanto no mês e no ano registra recuo de 3,68%.
Já o Ibovespa acumula alta de 8,53% na semana e mais de 11% tanto no mês quanto no ano, reforçando o forte desempenho do mercado acionário brasileiro neste início de 2026.
No exterior, as bolsas americanas fecharam sem direção única. O Dow Jones recuou, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq registraram leves ganhos. Na Europa, os mercados fecharam majoritariamente em queda, em meio à cautela de investidores diante de discussões políticas e econômicas em Davos. Na Ásia, os índices tiveram desempenho misto, com atenção redobrada às novas medidas regulatórias adotadas pela China.
