Turquia reduz importações de petróleo da Rússia e volta a comprar do Brasil após 17 anos

A Turquia está redesenhando sua estratégia de importação de petróleo. Pela primeira vez desde 2007, o país voltou a adquirir óleo cru brasileiro. A mudança reflete o impacto direto das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos à Rússia.

Atualmente, apenas 19% do petróleo que chega à Turquia tem origem russa. Em 2024, esse percentual passava de 50%. Os dados são da Vortexa Ltd. e foram divulgados pela Bloomberg. A maior refinaria do país, Tupras, vem reduzindo as compras da Rússia e buscando novos fornecedores.

A Petrobras confirmou a venda de uma carga com 950 mil barris do tipo Itapu, um petróleo leve com baixo teor de enxofre. A entrega está prevista para o início de abril. O navio João Cândido está encarregado do transporte. Essa é a primeira operação do tipo registrada pelo governo turco em quase duas décadas.

Segundo fontes próximas à negociação, a compra foi feita pela própria Tupras. A empresa já havia anunciado que não aceitaria mais barris russos que descumprissem o teto de preços definido pelo G7. Além disso, informou que suspendeu a importação do petróleo Urals, principal produto russo no setor.

Sanções alteram rotas globais de energia

O movimento da Turquia ocorre em meio ao endurecimento das restrições econômicas contra Moscou. Em janeiro, o governo Biden ampliou as sanções, o que forçou diversos países e empresas a reverem seus contratos com fornecedores russos.

Como alternativa, a Tupras está se voltando para novos mercados. O Brasil surge como uma opção viável, especialmente por oferecer petróleo com qualidade semelhante ao russo, mas fora do alcance das sanções.

A única outra refinaria em operação no país é da Socar, estatal do Azerbaijão. Em 2024, ela respondeu por 29% das importações turcas de petróleo. No entanto, não está claro se parte desse volume também incluía petróleo russo. A Socar, assim como a Tupras, não comentou o assunto.

Com essa reconfiguração, a Turquia reforça sua estratégia de diversificação energética. O Brasil, por sua vez, amplia sua presença no mercado global de óleo cru.

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