A Polícia Federal abriu um novo inquérito para apurar suspeitas adicionais de gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB). A instituição é controlada pelo governo do Distrito Federal. A nova apuração amplia o alcance do caso que já envolve operações com o Banco Master.
Segundo informações ligadas à investigação, a decisão ocorreu após o envio de dados pelo próprio BRB. Esses documentos fazem parte de uma auditoria independente contratada pelo banco. De acordo com a instituição, o relatório preliminar identificou achados considerados relevantes. Por isso, o material foi encaminhado à Polícia Federal na quinta-feira, dia 29.
No dia seguinte, a nova investigação foi formalmente aberta. A autorização partiu do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Em seguida, o procedimento foi remetido à Procuradoria-Geral da República. A existência do novo inquérito já havia sido antecipada pela imprensa.
Operações com o Banco Master seguem no centro das apurações
As investigações indicam que o BRB gastou cerca de R$ 12 bilhões na compra de carteiras de crédito associadas ao Banco Master. A instituição era controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. No entanto, segundo a Polícia Federal, parte desses ativos não pertenceria ao banco vendedor. Além disso, as operações não teriam garantias adequadas.
Por essa razão, o prejuízo potencial pode chegar a R$ 5 bilhões. Ainda assim, o BRB afirma que permanece financeiramente estável. Em nota divulgada em janeiro, o banco informou que o governo do Distrito Federal sinalizou a possibilidade de um aporte direto. A medida serviria para cobrir eventuais perdas.
Apesar disso, o BRB deverá apresentar, nos próximos meses, um balanço detalhado. O documento deve indicar o impacto real das operações questionadas. Paralelamente, a Polícia Federal analisa a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB ao longo de 2025. A operação teve apoio do governo local. No entanto, acabou barrada pelo Banco Central.
O foco da apuração é entender se houve falhas nos processos internos de análise e governança. Em novembro, uma operação da Polícia Federal e do Ministério Público afastou o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Posteriormente, ele foi demitido de forma definitiva.
As investigações também avançam sobre a atuação do Banco Master. Segundo a PF e o Banco Central, a instituição emitiu cerca de R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário. Os títulos prometiam juros acima do mercado. No entanto, não havia comprovação suficiente de liquidez.
Parte desses recursos teria sido aplicada em ativos considerados inexistentes. Como resultado, o banco entrou em colapso e foi liquidado pelo Banco Central em novembro. Procurado, o BRB afirmou que segue colaborando com as autoridades. O banco também disse que adota medidas para proteger seu patrimônio e recuperar ativos.
