PDV dos Correios tem adesão fraca e empresa prorroga prazo até 7 de abril

Apenas 2.347 funcionários aderiram ao Plano de Desligamento Voluntário dos Correios até esta segunda-feira (30). O número representa menos de um quarto da meta inicial, que previa 10 mil desligamentos ainda em 2026. Por essa razão, a estatal prorrogou o prazo de adesão até 7 de abril. Anteriormente, o período se encerraria nesta terça-feira (31).

O PDV faz parte de um amplo programa de reestruturação anunciado no fim de 2025. A empresa enfrenta uma crise financeira sem precedentes e acumula 12 trimestres consecutivos de prejuízos. Só em 2024, o déficit chegou a R$ 2,5 bilhões. Segundo o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, o resultado negativo de 2026 pode alcançar R$ 23 bilhões caso o ciclo de perdas não seja interrompido.

O plano de desligamento funciona como um acordo. A empresa oferece incentivos para que os funcionários peçam demissão por vontade própria. Dessa forma, o quadro de pessoal é reduzido sem o impacto de demissões em massa. A meta total é cortar até 15 mil postos até 2027. Contudo, com a adesão atual muito abaixo do esperado, o cronograma pode ser comprometido.

Segundo a estatal, a prorrogação busca dar mais tempo para que os empregados analisem as novas condições de assistência médica. Além disso, houve ampliação regional do Plano Família da Postal Saúde, o que pode influenciar na decisão dos funcionários.

A crise dos Correios se arrasta desde 2022, quando o prejuízo superou R$ 700 milhões. Para manter as operações, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos. Todavia, já admite que pode precisar de mais R$ 8 bilhões ao longo do ano. O programa de reestruturação prevê ainda o corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e fechamento de cerca de mil agências. Atualmente, a empresa opera com aproximadamente 5 mil unidades em todo o país.