Passaporte de Eliza Samudio aparece em Portugal e reacende questionamentos sobre o caso

Quinze anos após o desaparecimento e assassinato de Eliza Samudio, um novo elemento inesperado surgiu no caso que marcou o país. O passaporte da modelo foi encontrado em Portugal, segundo informou nesta terça-feira (6) o Itamaraty, após comunicação do consulado brasileiro em Lisboa.

O documento foi localizado na última sexta-feira (2). No entanto, até o momento, não há qualquer informação oficial sobre como o passaporte foi parar em território português. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o passaporte estava expirado e já havia sido cancelado.

A orientação do Itamaraty é que o documento seja enviado para Brasília, onde ficará à disposição da família de Eliza.

Família rejeita especulações e fala em crueldade

Apesar da repercussão, a família afirma que não existe qualquer dúvida sobre a morte de Eliza. Maria do Carmo, madrinha de Bruninho — filho da modelo com o ex-goleiro Bruno Fernandes — disse que a divulgação do achado é dolorosa e desnecessária.

Segundo ela, o episódio reacende sofrimento antigo e gera falsas interpretações. A família também afirmou que quer ter acesso ao documento, caso a autenticidade seja confirmada, mas reforçou que o passaporte não altera em nada o desfecho do crime.

A mãe de Eliza, dona Sônia, evita exposição pública desde o julgamento. Pessoas próximas relatam que cada nova menção ao caso reabre feridas que nunca cicatrizaram.

Um crime sem corpo, mas com condenações

Eliza Samudio desapareceu em 2010, aos 25 anos. Seu corpo nunca foi localizado. Três anos depois, Bruno foi condenado a mais de 22 anos de prisão por homicídio, sequestro e ocultação de cadáver. Ele deixou o regime fechado em 2018 e está em liberdade condicional desde 2023.

As investigações concluíram que Eliza foi levada do Rio de Janeiro para um sítio em Minas Gerais, onde ficou em cárcere privado antes de ser assassinada. Outros envolvidos também foram condenados, incluindo o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, apontado como o executor do crime.

Mesmo sem a localização do corpo, a Justiça considerou as provas suficientes para as condenações. O aparecimento do passaporte, portanto, não altera o entendimento jurídico do caso.

Documento não muda investigação, mas gera ruído

Especialistas ouvidos em outros momentos sobre casos semelhantes apontam que documentos antigos podem reaparecer por diferentes razões, incluindo falhas de descarte ou armazenamento. Ainda assim, autoridades brasileiras evitam especulações.

Por enquanto, o foco oficial é apenas garantir que o passaporte seja corretamente encaminhado e preservado. Qualquer nova informação dependerá de análises adicionais, que não têm prazo para conclusão.