Movimento estratégico: oito governadores ficam fora das urnas e redesenham disputa eleitoral de 2026

A poucos dias do prazo final exigido pela legislação eleitoral, uma decisão coletiva começa a redesenhar o cenário político no país. Ao menos oito governadores optaram por permanecer no cargo até o fim do mandato e não disputar as eleições deste ano, em um movimento que mistura cálculo político, disputas internas e estratégia eleitoral.

A escolha ocorre em meio ao período de desincompatibilização, que obriga gestores públicos a deixarem seus cargos caso desejem concorrer a outros postos. Enquanto dez governadores decidiram renunciar para entrar na disputa, outro grupo relevante preferiu ficar — o que marca uma das maiores ausências de chefes estaduais nas urnas nos últimos ciclos eleitorais.

Entre os nomes que abriram mão da candidatura estão Ratinho Junior e Eduardo Leite, ambos cotados em algum momento como possíveis candidatos à Presidência. Fora da corrida nacional, os dois optaram por atuar nos bastidores, focando na sucessão em seus estados.

Decisão envolve disputas internas e cálculo de poder

A permanência no cargo, em muitos casos, vai além de uma simples desistência eleitoral. Em estados como Rio Grande do Norte, Maranhão e Alagoas, o cenário político foi marcado por rompimentos entre governadores e seus respectivos vices.

A governadora Fátima Bezerra, por exemplo, decidiu não disputar o Senado após romper com o vice, evitando um cenário de instabilidade que poderia levar a uma eleição indireta no estado.

Já no Maranhão, Carlos Brandão enfrenta um ambiente político mais tenso, com disputas abertas com o vice e possibilidade de divisão no campo político local. A decisão de permanecer no cargo, nesse caso, também envolve a tentativa de controlar a sucessão.

Outros governadores, como Wilson Lima (Amazonas), Marcos Rocha (Rondônia) e Wanderlei Barbosa (Tocantins), seguiram caminho semelhante, em meio a desgastes políticos regionais.

Renúncias e novas candidaturas movimentam o tabuleiro

Enquanto parte dos governadores recua, outro grupo avança. Nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado deixaram seus cargos para disputar espaço nacional, com foco na eleição presidencial.

Além disso, diversos governadores optaram por uma rota já conhecida: a candidatura ao Senado. Entre eles estão Helder Barbalho e João Azevêdo, que buscam ampliar influência política em Brasília.

Ao mesmo tempo, nove governadores seguem no cargo, mas com um objetivo claro: a reeleição. É o caso de Tarcísio de Freitas, que chegou a ser cogitado para voos mais altos, mas decidiu disputar um novo mandato.

Impacto eleitoral e disputa aberta nos estados

O número elevado de governadores fora da disputa chama atenção. Em 2022, apenas cinco gestores ficaram de fora das eleições. Em 2018, foram quatro. Agora, o cenário indica uma mudança de comportamento político.

Na prática, isso tende a fortalecer disputas locais, ampliar o peso das alianças regionais e reduzir o número de candidaturas com projeção nacional.

Além disso, a decisão de permanecer no cargo permite aos governadores influenciar diretamente a escolha de seus sucessores, controlando estruturas administrativas e capital político até o fim do mandato.

Com isso, a eleição de 2026 deve ser marcada por disputas mais fragmentadas nos estados e por um jogo político mais concentrado nos bastidores.