O ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo faleceu nesta quarta-feira, 19, aos 90 anos. Advogado, professor e político conservador, ele ganhou notoriedade ao assumir o comando do estado em 2006, durante um dos períodos mais turbulentos da segurança pública paulista. Sua morte levou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) a decretar três dias de luto oficial. A causa do falecimento não foi divulgada.
O legado de Cláudio Lembo
Lembo era vice-governador quando assumiu o governo de São Paulo em abril de 2006, após Geraldo Alckmin deixar o cargo para disputar a Presidência da República. Na época, esperava-se uma transição tranquila, mas a realidade foi bem diferente.
O maior desafio do seu curto mandato veio em maio de 2006, com os ataques coordenados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante cinco dias, criminosos promoveram mais de 300 atentados contra delegacias, bases policiais e órgãos públicos. Mais de 50 agentes de segurança foram assassinados, enquanto a resposta da polícia resultou em mais de 500 mortes. O episódio marcou a história do estado e gerou intensos debates sobre segurança pública.
Apesar de ter sua trajetória política ligada à direita, Lembo não se limitava a um único campo ideológico. Conversava com líderes da esquerda, como Leonel Brizola, e reconhecia avanços sociais promovidos por governos progressistas. Em 2006, elogiou Lula ao afirmar:
“Fui sempre um conservador. Mas não burro. Vejo o que está aí. Vivemos uma situação social próxima de um vulcão”.
Estilo conservador
Seu estilo direto e suas frases contundentes ficaram marcadas na política brasileira. Durante os ataques do PCC, por exemplo, declarou:
“Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa”, em uma crítica ao abismo social que, segundo ele, alimentava a violência no país.
Nascido em São Paulo, Lembo formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) no final dos anos 1950. Ao longo da vida, ocupou diversos cargos públicos, incluindo funções na Prefeitura de São Paulo e no governo federal. Também esteve ao lado de Marco Maciel no Ministério da Educação e na Vice-Presidência da República durante os governos de Fernando Henrique Cardoso.
Seu último grande cargo político foi como secretário municipal na gestão de Gilberto Kassab (2008-2012). Depois disso, afastou-se da vida pública, dedicando-se à advocacia e ao magistério.
Cláudio Lembo deixa a esposa, Renéa, com quem foi casado por mais de 60 anos.
Repercussão da morte
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que foi seu companheiro de chapa em 2002, lamentou a perda:
“Enalteço o espírito público, a cultura jurídica, a vocação política e a dedicação ao magistério que tão bem o distinguiram em vida”.
Já o presidente do PSD, Gilberto Kassab, destacou:
“Se tem alguém que cumpriu sua missão, esse alguém foi Cláudio Lembo. Cidadão exemplar, com excelente formação e um homem público que não deixa uma única observação negativa”.
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