Ministro da Fazenda quer acabar com a declaração do IR como ela é hoje

O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou nesta terça-feira (31) que tem cobrado da Receita Federal avanços para eliminar a necessidade de declarar o Imposto de Renda. Na visão dele, o contribuinte deveria apenas validar as informações — sem precisar preencher nada.

A proposta é uma evolução do modelo pré-preenchido que já existe. Nesse formato, dados enviados por bancos, empresas e planos de saúde são carregados automaticamente no sistema. Ao trabalhador, restaria apenas conferir e confirmar.

Durante reunião ministerial, Durigan explicou que o Brasil já tem estrutura tecnológica para isso. Segundo ele, como o país é altamente informatizado, todas essas informações já circulam entre os órgãos. Por isso, faz sentido que o sistema consolide tudo sozinho.

Além disso, o ministro defendeu que o país caminhe para “menos burocracia” e para uma “economia de inovação”. Para ele, o Brasil já é referência global nesse sentido.

O que é a declaração pré-preenchida

Esse modelo já está disponível desde o início do prazo de entrega deste ano. Nele, a Receita Federal preenche automaticamente dados de rendimentos, deduções, bens, direitos e dívidas. Ou seja, o contribuinte não precisa digitar essas informações manualmente.

Segundo estimativas do Fisco, cerca de 60% dos contribuintes devem usar o formato pré-preenchido em 2026.

Para ter acesso, no entanto, é preciso ter conta nível prata ou ouro no portal gov.br. Quem não faz a própria declaração também tem uma alternativa: o site ou app “Meu Imposto de Renda” permite dar autorização de acesso a qualquer CPF ou CNPJ. Dessa forma, não é necessário compartilhar a senha do gov.br.

Mesmo assim, a Receita alerta que o contribuinte deve conferir todos os dados com atenção. Isso porque as informações são enviadas por terceiros e podem conter erros.

Quais novidades entram na declaração pré-preenchida em 2026

Neste ano, o modelo pré-preenchido passou a incluir novas informações. Entre elas, a recuperação de dados de pagamento via DARFs e o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre renda variável. Além disso, foram adicionadas informações vindas do eSocial sobre empregados domésticos e uma melhoria na recuperação de dados de dependentes dentro do núcleo familiar.

Essas novidades se somam a dados que já vinham sendo carregados em anos anteriores. Contribuições de previdência privada, saldos de contas bancárias e poupança, fundos de investimento, imóveis adquiridos, doações realizadas e até contas no exterior já faziam parte do modelo desde edições passadas. Todas essas informações continuam valendo em 2026.