O Ministério da Agricultura e Pecuária avalia que o setor de carne bovina pode enfrentar forte instabilidade após a China limitar as importações do produto brasileiro. O alerta consta em ofício enviado à Câmara de Comércio Exterior (Camex).
No fim de dezembro, o governo chinês impôs salvaguarda e fixou em 1,1 milhão de toneladas a cota anual de carne bovina do Brasil. O que ultrapassar esse volume passa a pagar tarifa adicional de 55%. Com isso, a competitividade do produto nacional tende a cair.
Segundo análise técnica da pasta, a medida pode reduzir a demanda chinesa em cerca de 600 mil toneladas em 2026. Além disso, há risco de corrida entre frigoríficos para ocupar rapidamente a cota disponível. Esse movimento, por sua vez, poderia pressionar preços para baixo e prejudicar pequenos exportadores.
O documento menciona empresas como JBS, Minerva e Marfrig, que concentram parte relevante das vendas externas.
Para evitar desorganização do mercado, o ministério defende a criação de um sistema nacional de cotas. A proposta prevê distribuição proporcional com base no histórico de exportações. Ao mesmo tempo, sugere reserva para novos e pequenos frigoríficos, além de controle por meio de licenças de exportação.
Dados do Ministério do Desenvolvimento indicam que, em janeiro, a China importou 123,2 mil toneladas de carne bovina brasileira, alta de cerca de 35% frente ao mesmo mês do ano anterior. Ainda assim, o governo teme que, sem coordenação, haja excesso de oferta interna e queda de preços ao longo do ano.
O tema deve ser analisado pelo comitê executivo da Camex. Paralelamente, o governo brasileiro mantém diálogo diplomático com autoridades chinesas para tentar mitigar os efeitos da medida.
