Presidente brasileiro desembarca em Tóquio com comitiva empresarial. Objetivo é fortalecer exportações e defender o livre comércio em um cenário global cada vez mais tenso.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta segunda-feira, 24, uma visita oficial de quatro dias ao Japão. Acompanhado por mais de 100 empresários, Lula busca reforçar as relações comerciais com a terceira maior economia da Ásia.
A missão ocorre em um momento sensível para o comércio global. As tarifas impostas pelos Estados Unidos contra importações de aço, inclusive do Brasil, reacenderam o debate sobre o protecionismo. Lula tem criticado essas medidas e defende a retomada do livre comércio entre as nações.
Durante o encontro com o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, previsto para quarta-feira (26), os dois líderes devem discutir parcerias em áreas estratégicas. Entre os temas estão o desenvolvimento de biocombustíveis e a abertura de um canal permanente de diálogo sobre segurança e tecnologia.
Brasil mira novos mercados no Japão
Atualmente, a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Já o Japão ocupa a 11ª posição. No entanto, especialistas alertam que essa dependência excessiva deixa o país vulnerável a mudanças geopolíticas.
Desde o início do novo mandato de Donald Trump, os Estados Unidos impuseram tarifas sobre produtos chineses. Essa decisão afeta indiretamente o Brasil, que depende de exportações ligadas à economia chinesa. Por isso, o governo brasileiro vê no Japão uma oportunidade de diversificar seu comércio exterior.
Ao mesmo tempo, Tóquio enxerga na aproximação com o Brasil uma chance de conter a influência crescente da China e da Rússia, parceiros do Brasil no BRICS.
Além das reuniões diplomáticas, Lula participará de um fórum econômico em Tóquio. O evento deve reunir empresários dos dois países interessados em parcerias nos setores de energia, aviação e agronegócio. Um jantar oficial no Palácio Imperial está marcado para terça-feira (25).
Outro ponto importante da viagem será o simbolismo histórico. Em 2023, o governo brasileiro emitiu um pedido oficial de desculpas pela perseguição a imigrantes japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Na época, milhares de famílias foram expulsas de suas terras e pelo menos 150 pessoas foram presas em uma ilha remota.
Lula afirmou que o pedido de desculpas “é o mínimo” que o país pode fazer. Segundo ele, reconhecer os erros do passado é essencial para construir relações mais sólidas no presente.
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