Lula em BH promete expor líderes do crime e fala em reciprocidade contra os EUA

Em entrevista à Rádio Itatiaia, Lula disse que “vai mostrar a cara” de quem integra o crime organizado. A fala ocorreu um dia após a megaoperação que mirou um esquema bilionário no setor de combustíveis. Segundo o presidente, a investigação não ficará “só no andar de baixo”.

Ele ligou o tema à fiscalização sobre fintechs. De acordo com Lula, essas empresas passarão a seguir regras iguais às dos bancos. A ideia é travar a lavagem de dinheiro e aumentar a rastreabilidade. “Quem fizer parte do crime vai aparecer”, afirmou.

Fintechs, reciprocidade e embates políticos

Lula também comentou as tarifas de 50% impostas pelos EUA. Segundo ele, o governo iniciou o rito da Lei de Reciprocidade Econômica. O Brasil, ao mesmo tempo, acionou a OMC. Apesar disso, o Planalto diz preferir negociar. O processo, porém, é demorado e exigirá paciência.

O presidente afirmou que não ligou para Donald Trump. E não pretende fazer isso por ora. A equipe brasileira, segundo ele, tentou contato com Washington e não teve retorno. Enquanto isso, o governo prepara propostas para regular as big techs. O foco declarado é proteger crianças e adolescentes e aplicar a lei brasileira às plataformas.

No campo interno, Lula elevou o tom contra Eduardo Bolsonaro. Para ele, a Câmara deve cassar o mandato se o deputado seguir fora do país. O presidente chamou o parlamentar de “traidor” por, na visão do Planalto, atuar nos EUA contra autoridades brasileiras. Eduardo pediu para exercer o mandato do exterior e a situação segue em análise.

Lula também falou sobre o julgamento de Jair Bolsonaro no STF. Considerou “impertinente” discutir anistia antes da decisão final. Reforçou o direito à presunção de inocência. E concluiu: se houver crime, deve haver punição; se não, absolvição. O recado mantém o tom de lei e ordem, enquanto o governo avança em frentes regulatórias e tenta reduzir a tensão externa.