Investidores canadenses buscam oportunidades no Brasil com foco em minerais críticos

Um grupo de seis investidores canadenses está em São Paulo desde o início da semana para uma rodada de reuniões com mineradoras brasileiras. O objetivo é identificar projetos com potencial de lucro, especialmente na área de minerais estratégicos. A iniciativa é organizada pela Bolsa de Toronto e acontece em um dos endereços mais simbólicos do mercado nacional: a Avenida Faria Lima.

Os encontros envolvem 14 mineradoras nacionais, a maioria com ativos ainda em fase pré-operacional. O foco principal está em minerais considerados críticos para a transição energética, como lítio, cobre, cobalto e níquel. Também há empresas com projetos voltados ao ouro.

Como o Brasil não possui estrutura regulatória consolidada para empresas júnior na B3, muitas delas enfrentam dificuldade para levantar capital internamente. Com isso, cresce o interesse por listagens no exterior. A Bolsa de Toronto abriga hoje 32 mineradoras com ativos brasileiros, totalizando 95 operações.

No centro desse modelo estão as chamadas CPCs, sigla para Capital Pool Companies. Elas são empresas abertas com capital modesto e número mínimo de acionistas. Já listadas na TSX Venture, essas estruturas existem para identificar negócios com alto potencial.

Uma vez encontrada uma mineradora promissora, ela assume o lugar da CPC e passa a ser negociada na bolsa canadense.

Segundo Guillaume Légaré, diretor da TSX na América do Sul, esse formato oferece vantagens importantes. Além da facilidade de listagem, a CPC já conta com uma equipe experiente no mercado de capitais canadense. Isso reduz os riscos da operação e acelera o processo de captação.

A Sigma Lithium, hoje uma das maiores mineradoras de lítio do Brasil, entrou na Bolsa de Toronto por meio de uma CPC, ainda em 2017, quando era uma empresa pré-operacional. O caso virou referência.

Apesar do interesse, nem todos os projetos apresentados nesta rodada impressionaram. Segundo Paul Barbeau, sócio da NPN Financing Partner, algumas empresas brasileiras ainda não atendem a requisitos técnicos exigidos pelo mercado canadense. Mesmo assim, ele destacou o potencial de uma empresa de terras raras e outra de lítio.

Após os encontros no Brasil, os investidores seguem para Mendoza, na Argentina. Lá, devem avaliar novas oportunidades com empresários argentinos e chilenos. Segundo Raymond Harari, da Canalis Capital, a abertura econômica promovida por Javier Milei torna o país vizinho um ambiente mais promissor para investimentos.

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