INPC fecha 2025 em 3,9% e aposentadorias acima do mínimo perdem poder de compra

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) encerrou 2025 com alta de 3,9%, percentual inferior à inflação oficial do país. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano em 4,26%, segundo dados do IBGE.

A diferença entre os dois indicadores indica que aposentadorias e pensões do INSS acima do salário mínimo terão reajuste menor do que a inflação média enfrentada pelos consumidores. Na prática, isso significa perda de poder de compra para milhões de beneficiários em 2026.

Como o INPC é o índice usado para corrigir os benefícios pagos acima do piso nacional, o teto da Previdência Social deverá passar de R$ 8.157,41 para R$ 8.474,55. No entanto, esse reajuste ainda depende da publicação de uma portaria do governo federal no Diário Oficial da União.

Enquanto isso, quem recebe um salário mínimo teve correção automática. O novo piso nacional, fixado em R$ 1.621, entrou em vigor no dia 1º de janeiro.

Diferença entre INPC e IPCA explica a perda real

Embora os dois índices meçam a variação de preços, eles têm focos distintos. O IPCA é considerado a inflação oficial do país e reflete o consumo de famílias com renda de até 40 salários mínimos. Já o INPC acompanha o custo de vida de famílias com renda entre um e cinco salários mínimos, com chefe assalariado.

Em dezembro, o INPC registrou alta de 0,21%, acima do resultado de novembro. Ainda assim, no acumulado do ano, ficou 0,36 ponto percentual abaixo do IPCA. Esse descompasso explica por que o reajuste das aposentadorias acima do mínimo não acompanha totalmente o aumento dos preços.

Os alimentos tiveram comportamento mais moderado ao longo de 2025, com alta acumulada de 2,63%. Por outro lado, despesas não alimentícias avançaram 4,32%, pressionadas principalmente por habitação, saúde e educação. Esses grupos pesam mais no orçamento dos aposentados urbanos, o que amplia a sensação de perda real.

Regionalmente, Vitória apresentou a maior variação do INPC no ano, puxada pelo aumento da energia elétrica e dos aluguéis. Em contraste, outras capitais tiveram inflação mais contida, o que mostra um cenário desigual no país.

Impactos para os aposentados em 2026

Para quem já recebia benefício acima do salário mínimo, o reajuste baseado no INPC não repõe integralmente a inflação oficial. Assim, mesmo com aumento nominal, o valor real do benefício tende a encolher.

Além disso, segurados que estavam no mercado antes da reforma da Previdência seguem enquadrados nas regras de transição. Em 2026, a idade mínima sobe novamente em seis meses, enquanto o tempo de contribuição permanece inalterado. A regra dos pontos também avança, exigindo mais idade somada ao tempo de contribuição.

Dessa forma, o cenário para aposentados e futuros beneficiários combina reajustes abaixo da inflação, mudanças graduais nas regras e maior pressão sobre o orçamento familiar, especialmente em um contexto de alta nos custos essenciais.