A nutricionista e influenciadora Flávia Bueno, de 35 anos, apresentou evolução neurológica após receber aplicação experimental de polilaminina, proteína ainda em fase de testes no Brasil. Segundo a família, ela conseguiu voltar a mexer o braço direito após o procedimento, realizado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde permanece internada desde o início de janeiro.
Flávia sofreu uma grave lesão medular durante um mergulho na praia de Maresias, no litoral norte paulista, na virada do ano. O acidente aconteceu no dia 3 de janeiro, quando ela bateu a cabeça em um banco de areia, perdeu a consciência e precisou ser socorrida às pressas. Desde o dia seguinte, está internada na UTI, com comprometimento da medula espinhal nas vértebras C3, C4 e C5.
Uso compassivo de droga experimental foi autorizado pela Justiça
A aplicação da polilaminina ocorreu na última sexta-feira (23), após a família obter uma liminar judicial que autorizou o uso experimental da substância. O medicamento ainda não possui liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para uso comercial ou clínico em humanos, o que exigiu autorização excepcional por meio do programa de uso compassivo previsto em norma da Anvisa.
Desenvolvida a partir de pesquisas conduzidas há mais de 20 anos na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a polilaminina é uma versão produzida em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e associada à conexão entre neurônios. A pesquisa é liderada pela cientista Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, e conta com desenvolvimento industrial do laboratório brasileiro Cristália.
De acordo com familiares, a expectativa é que a aplicação direta no local da lesão ajude a estimular a formação de novas conexões nervosas, permitindo a recuperação parcial de movimentos. O irmão da nutricionista, Felipe Checchin, afirmou que antes da aplicação Flávia não apresentava qualquer movimentação no braço direito.
O laboratório Cristália informou, em nota, que a paciente não faz parte de estudos clínicos formais e que o acesso à substância ocorreu exclusivamente por meio de judicialização, conforme prevê a resolução que regula o uso compassivo de medicamentos experimentais. Os testes clínicos de fase inicial ainda estão em fase de organização e acompanhamento.
Tratamento já ultrapassa R$ 1 milhão e família pede ajuda
Sem plano de saúde, Flávia foi levada ao Hospital Albert Einstein após avaliação médica indicar a necessidade urgente de cirurgia de descompressão da coluna em até 48 horas, procedimento considerado decisivo para preservar a respiração e a oxigenação cerebral. Desde então, ela passou por duas cirurgias e segue fora de risco imediato, segundo a família.
O custo da internação e dos procedimentos já ultrapassou R$ 1 milhão. Familiares e amigos organizaram uma vaquinha virtual e eventos beneficentes para arrecadar recursos e manter o tratamento. A previsão é que Flávia permaneça no hospital por mais 30 a 40 dias antes de eventual transferência para uma unidade pública, dependendo da evolução clínica.
A família afirma que a resposta inicial à polilaminina renovou as esperanças de recuperação gradual. Segundo o irmão, a melhora no movimento do braço representa uma vitória importante em um quadro ainda considerado delicado.
