O Brasil deveria rever sua estratégia de segurança pública para enfrentar a infiltração do crime organizado no Estado. O alerta é da Human Rights Watch, que analisou o país em seu relatório mundial de 2026, divulgado nesta quarta-feira (4). Segundo a entidade, o tema deve ganhar ainda mais peso no debate público, sobretudo por causa da eleição presidencial.
No capítulo dedicado ao Brasil, a ONG afirma que o modelo atual falha ao lidar com facções criminosas. Além disso, aponta que a cooptação de agentes públicos amplia o alcance dessas organizações. Em entrevista, o diretor da entidade no país, César Muñoz, disse ter ouvido de investigadores que há envolvimento policial recorrente em casos ligados a facções. Por isso, defende investigações aprofundadas, baseadas em inteligência, para identificar vínculos entre criminosos e integrantes do poder público.
Segurança pública no centro do debate eleitoral
De acordo com o relatório, a infiltração de facções pode atingir órgãos do Estado e até autoridades locais. Assim, a HRW sustenta que o combate deve priorizar investigação, coordenação entre entes federativos e proteção de direitos. Ao mesmo tempo, a entidade critica operações de caráter militarizado, que, segundo a análise, aumentam a violência e não desarticulam o crime organizado.
O tema ganha relevância porque a segurança pública é a principal preocupação dos brasileiros. Pesquisa recente indica que crime e violência lideram as inquietações da população. Nesse contexto, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso propostas para ampliar a coordenação federal e endurecer penas para integrantes de facções. Os textos seguem em discussão.
A HRW também destaca dados oficiais que mostram alta nas mortes provocadas por policiais em 2025. Para a entidade, esse cenário reforça a necessidade de mudanças. Segundo Muñoz, políticas baseadas em dados e ciência são mais eficazes. Além disso, proteger a população e os próprios agentes é essencial para recuperar a confiança nas instituições.
No relatório, a ONG cita ainda outros temas ligados ao Brasil, como investigações de corrupção, decisões do Judiciário e a situação do sistema prisional. Em âmbito global, o documento aponta avanço autoritário em vários países e critica lideranças como Donald Trump. Ainda assim, no caso brasileiro, a mensagem central é clara: sem reformular a estratégia, o Estado seguirá vulnerável à infiltração do crime organizado.
