O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para discutir temas da agenda bilateral entre os dois países. A conversa ocorreu na noite de domingo e também abordou preocupações do governo brasileiro sobre a possível classificação de facções criminosas como organizações terroristas.
Segundo fontes diplomáticas, Vieira buscou evitar que grupos brasileiros, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), sejam incluídos na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras pelos Estados Unidos.
Além disso, o diálogo também tratou da possível viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington. A intenção é realizar uma visita oficial à Casa Branca para um encontro com o presidente Donald Trump. No entanto, a data da reunião ainda não foi definida devido a dificuldades de agenda.
Temor de implicações militares
Diplomatas ouvidos pelo governo brasileiro afirmam que existe preocupação com as consequências dessa classificação. Isso porque, segundo a legislação norte-americana, a designação de um grupo como organização terrorista pode permitir ações mais amplas contra essas organizações.
Entre as medidas possíveis estão sanções financeiras, restrições migratórias e até operações militares contra grupos considerados ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.
Por esse motivo, integrantes do governo brasileiro avaliam que a classificação de facções como terroristas poderia abrir espaço para justificativas de intervenções ou operações na região sob o argumento de combate ao narcotráfico.
Fontes ligadas ao governo norte-americano indicam que a proposta tem apoio dentro da administração e pode ser encaminhada ao Congresso dos Estados Unidos para análise.
A discussão não é totalmente nova. No entanto, ganhou força após ações recentes da política externa norte-americana na América Latina.
Critérios para classificação
De acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, três critérios principais são analisados para que um grupo receba a designação de Organização Terrorista Estrangeira.
Primeiro, a organização deve ser estrangeira. Além disso, precisa estar envolvida em atividades terroristas ou demonstrar capacidade e intenção de realizá-las. Por fim, o grupo deve representar ameaça à segurança de cidadãos ou aos interesses nacionais dos Estados Unidos.
Quando um grupo recebe essa classificação, diversas consequências passam a valer. Por exemplo, torna-se crime nos Estados Unidos fornecer apoio material à organização, como financiamento, treinamento ou serviços.
Além disso, ativos financeiros podem ser bloqueados e pessoas associadas ao grupo podem sofrer restrições de visto ou deportação.
O governo brasileiro acompanha a discussão com cautela e busca manter o diálogo diplomático para evitar impactos na relação bilateral e na segurança regional.
