Garimpo ilegal ameaça árvores gigantes da Amazônia e acelera destruição da floresta

O avanço do garimpo ilegal na Amazônia atingiu níveis alarmantes. A atividade, além de devastar áreas protegidas e poluir rios, agora ameaça um santuário com as maiores árvores da floresta. Entre elas está um angelim-vermelho com 85,4 metros de altura — quase o dobro do Cristo Redentor.

Segundo o MapBiomas, 77% da área de garimpo no Brasil é ilegal. Em 2023, a mineração irregular já ocupava mais de 2.400 km², o que equivale ao dobro da cidade do Rio de Janeiro. A maior parte desse avanço está concentrada no Pará e no Amapá.

Esse crescimento acelerado teve início em 2019, com a valorização do ouro durante a pandemia e o afrouxamento da fiscalização ambiental. Desde então, garimpos passaram a operar com estrutura industrial. As ações de fiscalização existem, mas são insuficientes. Em pouco tempo, os garimpos desativados retornam à atividade.

Na divisa entre o Pará e o Amapá, pesquisadores identificaram árvores gigantes que ficaram escondidas por séculos. O angelim-vermelho mais alto está a apenas um quilômetro de uma frente de garimpo ilegal. As primeiras manchas de mineração nessa área apareceram em imagens de satélite de 2020.

Além do desmatamento, o garimpo ilegal provoca impactos profundos. O uso de mercúrio contamina rios e peixes, afetando comunidades indígenas e ribeirinhas. A atividade também está ligada a organizações criminosas e ao tráfico de drogas, segundo investigações da Polícia Federal.

Cidades como Itaituba e Jacareacanga, no Pará, sobrevivem da mineração. Apesar disso, têm altos índices de pobreza. Mais de 60% da população depende de programas sociais, mesmo com milhões saindo das minas todos os anos.

Segundo cientistas, perder essas árvores significa perder parte do equilíbrio climático do país. Elas ajudam a armazenar carbono e a manter a umidade da floresta. Isso interfere diretamente nas chuvas que abastecem o agronegócio em várias regiões do Brasil.

O STF derrubou recentemente a “presunção de boa-fé” na venda de ouro. A decisão tenta fechar brechas usadas para legalizar ouro extraído ilegalmente. No entanto, especialistas afirmam que só uma ação coordenada entre governo federal, estados e municípios pode frear o avanço do garimpo.

Se nada for feito com urgência, o país corre o risco de perder um patrimônio natural único. Árvores gigantes, com séculos de vida, podem desaparecer diante da omissão das autoridades e da ganância de poucos.