Funcionários do BRB relatam à PF sinais de fraude intencional na compra de carteiras do Banco Master

Servidores do Banco de Brasília prestaram depoimento à Polícia Federal e apontaram indícios de fraude deliberada na operação que envolveu a compra de carteiras de crédito do Banco Master. Os funcionários foram ouvidos como testemunhas — e não como investigados — no inquérito que apura o caso. Segundo os relatos, os problemas já haviam sido sinalizados internamente antes de o escândalo estourar.

Os depoentes eram subordinados ao então diretor de Finanças e Controladoria do BRB, Dario Oswaldo de Garcia Junior. De acordo com informações obtidas pelo blog, eles afirmaram que mecanismos de controle e compliance foram recomendados à diretoria. Contudo, o ex-diretor não adotou os procedimentos de segurança indicados. Por essa razão, os investigadores consideram enfraquecida a hipótese de erro e reforçam a linha de apuração sobre fraude.

O próprio Dario já foi ouvido pela PF. Em seu depoimento, disse que não tinha conhecimento detalhado sobre o que estava sendo adquirido na operação de cerca de R$ 12 bilhões. Afirmou também que não entendia como o BRB acabou comprando um volume tão elevado de créditos considerados problemáticos. Todavia, os relatos dos funcionários contradizem essa versão ao indicar que alertas internos foram feitos antes da conclusão do negócio.

Afastamento e desdobramentos

Dario foi afastado do cargo em novembro do ano passado por ordem da Justiça Federal do Distrito Federal. O juiz Ricardo Leite apontou indícios de gestão fraudulenta e possível associação criminosa na operação de salvamento do Banco Master. Na decisão, o magistrado destacou que o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e Dario não foram capazes de apresentar contratos, comprovantes e averbações legítimos que comprovassem a validade das carteiras adquiridas.

Após a revelação do caso, o BRB promoveu troca completa em sua diretoria. O caso começou a tramitar na primeira instância e posteriormente foi remetido ao STF. Até a última atualização da reportagem, a defesa do ex-diretor não havia se manifestado sobre os depoimentos dos funcionários.