Escritório ligado à esposa de Moraes confirma contrato com Banco Master e nega atuação no STF

O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, divulgou uma nota nesta segunda-feira esclarecendo sua relação profissional com o Banco Master.

Segundo o comunicado, a banca jurídica foi contratada pelo banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 para prestar consultoria e serviços jurídicos especializados. O documento afirma que o trabalho foi encerrado quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição.

A nota também destaca que o escritório nunca atuou em processos envolvendo o Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

De acordo com o texto divulgado, a equipe envolvida no contrato era formada por 15 advogados. Além disso, três escritórios externos de consultoria jurídica foram contratados para colaborar em áreas específicas sob coordenação do Barci de Moraes.

Caso ocorre em meio à nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro

A manifestação do escritório ocorre poucos dias após a nova prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele foi detido na última quarta-feira pela Polícia Federal em São Paulo durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.

Segundo os investigadores, a apuração envolve suspeitas de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, ameaças e invasão de dispositivos eletrônicos ligados a uma organização criminosa.

A ordem de prisão foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, que assumiu recentemente a relatoria do caso na Corte.

De acordo com o escritório, durante o período de atuação foram realizadas 94 reuniões de trabalho com representantes do banco. A maior parte desses encontros ocorreu presencialmente na sede da instituição financeira.

Além disso, os advogados produziram 36 pareceres jurídicos sobre temas variados. Entre eles estavam análises regulatórias, questões trabalhistas, contratos e estrutura de compliance.

O documento afirma que as equipes também participaram da revisão de políticas internas da instituição. Entre as áreas abordadas estavam governança corporativa, ética, prevenção à lavagem de dinheiro e gestão de riscos.

Apesar de detalhar a natureza dos serviços prestados, a nota não informa os valores envolvidos no contrato firmado com o banco.

A relação entre o escritório e o Banco Master ganhou atenção após reportagens indicarem que a instituição teria pago cerca de R$ 3,6 milhões por mês ao escritório durante o período de vigência do contrato. O valor, porém, não foi confirmado oficialmente na manifestação divulgada.

A crise envolvendo o Banco Master se intensificou após a liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado. A instituição enfrentava dificuldades financeiras, além de questionamentos sobre sua estrutura e operações no mercado.