Dólar cai abaixo de R$ 5,20 enquanto mercado aguarda decisões de juros; Ibovespa ultrapassa 184 mil pontos

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By LatAm Reports Redatores da Equipe

O dólar opera abaixo de R$ 5,20 nesta quarta-feira (28), refletindo a expectativa do mercado financeiro pelas decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Por volta das 11h, a moeda americana recuava 0,59%, cotada a R$ 5,1751, após atingir a mínima de R$ 5,1716. Já o Ibovespa avançava 1,20% no mesmo horário, alcançando 184.101 pontos e renovando máximas históricas.

Na véspera, o dólar havia encerrado em queda de 1,41%, no menor patamar em mais de um ano e meio. A bolsa brasileira, por sua vez, subiu 1,79% e fechou acima dos 181 mil pontos pela primeira vez, impulsionada por ações de grandes empresas e pelo maior apetite ao risco no mercado doméstico.

Superquarta concentra atenções de investidores no Brasil e nos EUA

A chamada Superquarta de 2026 concentra as atenções dos investidores, com decisões de juros tanto do Comitê de Política Monetária do Banco Central quanto do Federal Reserve, nos Estados Unidos. No Brasil, a expectativa majoritária é de manutenção da taxa Selic em 15%, embora o mercado acompanhe atentamente o comunicado em busca de sinais sobre o início de um ciclo de cortes ainda no primeiro trimestre.

Dados recentes reforçaram essa leitura. A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente abaixo do consenso do mercado. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,50%. Houve pressão nos preços de saúde, cuidados pessoais e comunicação, enquanto transportes registraram queda, influenciados principalmente pela redução nas passagens aéreas.

Segundo o Boletim Focus, a estimativa é de que a Selic encerre 2026 em 12,25% ao ano, o que representaria uma redução de 2,75 pontos percentuais em relação ao patamar atual. Esse cenário tem ajudado a sustentar a valorização da bolsa e a enfraquecer o dólar frente ao real.

Nos Estados Unidos, o consenso do mercado aponta para a manutenção da taxa básica entre 3,5% e 3,75%. Ainda assim, investidores acompanham de perto as declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, especialmente diante da crescente pressão política do presidente Donald Trump por cortes mais agressivos nos juros. A cautela aumentou após Trump voltar a criticar a condução da política monetária e sinalizar a possibilidade de indicar um novo nome para o comando do banco central americano.

No cenário internacional, tensões geopolíticas e comerciais continuam no radar. Trump anunciou aumento de tarifas sobre produtos da Coreia do Sul, enquanto a China reforçou a cooperação estratégica com a Rússia. Em paralelo, um novo acordo comercial entre a União Europeia e a Índia trouxe algum alívio aos mercados, ao reduzir tarifas e ampliar o fluxo de comércio entre as duas regiões.

Apesar das incertezas externas, o ambiente doméstico mais favorável, combinado à perspectiva de queda dos juros no Brasil, segue sustentando o desempenho positivo do Ibovespa e a valorização do real frente ao dólar.