Cúpula da Amapá Previdência entra na mira da PF em investigação sobre o Banco Master

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By LatAm Reports Redatores da Equipe

A Polícia Federal realizou, na manhã desta sexta-feira (6), uma operação para apurar suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos da Amapá Previdência. A investigação envolve investimentos de alto risco feitos com dinheiro do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá e tem relação direta com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central no fim de 2025.

Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Macapá, autorizados pela 4ª Vara da Justiça Federal. Um dos alvos é Jocildo Silva Lemos, presidente da Amprev. A apuração se concentra na aplicação de cerca de R$ 400 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, modalidade considerada de risco elevado e sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

A operação foi batizada de Zona Cinzenta e busca esclarecer se as decisões de investimento causaram prejuízo ao patrimônio público. A Polícia Federal também investiga a eventual responsabilidade dos gestores envolvidos nas autorizações das aplicações.

Operações semelhantes e posição da Amprev

O caso do Amapá não é isolado. Nos últimos dias, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, investigado por aportes próximos de R$ 1 bilhão em fundos ligados ao mesmo conglomerado financeiro. Segundo a PF, essas operações expuseram recursos previdenciários a riscos incompatíveis com sua finalidade institucional.

No Amapá, além do presidente da Amprev, membros do comitê de investimentos também são alvo da investigação. Até o momento, apenas a instituição se manifestou oficialmente. Em nota, a Amprev afirmou que os investimentos no Banco Master representam menos de 5% da carteira total e que já ingressou com medidas judiciais para buscar ressarcimento.

A instituição também declarou que se considera prejudicada pelas irregularidades atribuídas ao banco e reforçou que os recursos aplicados haviam sido validados pelos órgãos reguladores à época. Segundo a Amprev, o patrimônio do fundo cresceu nos últimos anos e os pagamentos a aposentados e pensionistas seguem garantidos.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central após a identificação de uma crise grave de liquidez, que comprometeu sua capacidade de honrar obrigações com investidores e clientes. As investigações seguem em andamento, e novas informações devem ser divulgadas conforme o avanço do inquérito.