Copom vê cenário mais difícil e indica juros altos por mais tempo

A nova ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (25), traz um alerta claro: as expectativas de inflação continuam subindo e isso exige juros mais altos por um período maior. O Banco Central reconhece que o ambiente se tornou mais adverso, o que aumenta a necessidade de cautela.

As projeções do mercado mostram que o índice oficial de inflação (IPCA) deve se aproximar do teto da meta em 2026. Para os anos seguintes, as expectativas também seguem acima do ideal. Esse afastamento da meta central, que é de 3%, preocupa o comitê. Segundo o Copom, controlar essa tendência vai exigir uma política monetária mais dura do que a prevista anteriormente.

Além disso, os preços de alimentos continuam elevados. A valorização do dólar, observada no fim de 2024, também deve influenciar os preços de produtos industrializados nos próximos meses. Esses fatores reforçam a pressão inflacionária de curto e médio prazo.

Copom sinaliza alta menor da Selic, mas mantém tom de alerta

Na última reunião, o Copom decidiu aumentar a taxa Selic para 14,25% ao ano. A elevação foi de um ponto percentual e aprovada por todos os membros. Ainda assim, o comitê deixou claro que esse não será o último ajuste. Para a reunião de maio, a expectativa é de uma alta menor, embora o grupo evite definir o valor com antecedência.

De acordo com a ata, os dados recentes da economia mostram sinais de desaceleração em alguns setores. Mesmo assim, o mercado de trabalho segue aquecido. A atividade no setor de crédito também perdeu força, com maior cautela dos bancos e menos concessões.

No cenário internacional, o Copom expressou preocupação com a política econômica dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump. Entre os riscos estão o aumento de tarifas e mudanças na matriz energética, que podem afetar os preços no mundo todo. Esse ambiente de incerteza já estaria impactando os investimentos e as expectativas inflacionárias.

Outro ponto de destaque na ata foi a política fiscal do governo brasileiro. O Banco Central citou medidas como o novo crédito consignado para trabalhadores e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Segundo o comitê, essas iniciativas têm pressionado ainda mais o equilíbrio fiscal. A falta de sintonia entre a política monetária e a fiscal pode tornar o controle da inflação ainda mais difícil.

Economistas do mercado, como Caio Megale, da XP, e Rafaela Vitoria, do Banco Inter, acreditam que a Selic continuará elevada por mais tempo. Ambos veem na ata sinais de que o Banco Central ainda não está pronto para encerrar o ciclo de alta. Mesmo que uma nova elevação seja mais moderada, o cenário exige atenção.

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