Clientes que contrataram empréstimos ou serviços financeiros no Will Bank ou no Banco Master afirmam ter encontrado dívidas ativas ou em atraso no Sistema de Informações de Créditos do Banco Central do Brasil. Segundo os relatos, os registros foram feitos pelo Banco de Brasília e incluem casos de débitos já quitados, além de cobranças que nunca existiram.
As inconsistências foram identificadas após consultas ao Registrato, ferramenta do Banco Central que reúne informações de crédito informadas pelas instituições financeiras. Muitos dos consumidores dizem não ter qualquer relacionamento com o BRB. Ainda assim, passaram a constar como devedores no sistema oficial.
O vínculo surgiu porque o BRB adquiriu carteiras de crédito do Banco Master desde 2024 e anunciou, em março de 2025, um acordo para comprar a instituição. A operação, estimada em R$ 2 bilhões, acabou vetada pelo Banco Central. Depois disso, o Master entrou em liquidação extrajudicial, o que abriu espaço para investigações sobre fraudes bilionárias envolvendo a venda de carteiras consideradas de baixa qualidade.
Falha de informações e impacto direto no score de crédito
Como compensação por carteiras problemáticas, o Master teria transferido novos créditos ao BRB. Parte desses contratos, segundo apuração, foi originada pelo Will Bank. É desse processo que, conforme as suspeitas, surgiram os registros indevidos no Banco Central.
Em nota, o BRB afirmou que, após a liquidação do Will Bank, deixou de receber do liquidante as informações necessárias sobre repasses e quitações. Por isso, alguns contratos teriam aparecido como ativos ou inadimplentes no SCR, mesmo já pagos no banco de origem. O banco sustenta que a instituição que originou o crédito é responsável por acompanhar os pagamentos e enviar os dados corretos.
Especialistas ouvidos pela imprensa avaliam, no entanto, que o banco comprador tem o dever de validar as informações antes de repassá-las ao Banco Central. Além disso, a legislação exige que o consumidor seja notificado formalmente sobre a cessão do crédito, o que nem sempre ocorreu, segundo os relatos.
O problema já trouxe prejuízos concretos. Há casos de clientes que tiveram financiamentos negados por conta de pendências inexistentes. Reclamações em plataformas de defesa do consumidor cresceram de forma significativa nos últimos meses, indicando aumento expressivo de queixas sobre dívidas desconhecidas atribuídas ao BRB.
Advogados orientam que os consumidores solicitem, por escrito, detalhes do contrato, valores atualizados e a origem da cobrança. Se não houver comprovação, a cobrança pode ser considerada indevida. Caso não haja solução, o caminho passa por órgãos como Procon, Consumidor.gov e, se necessário, a Justiça.
O BRB informou que segue cobrando o liquidante para normalizar o fluxo de informações e afirmou estar preparado para corrigir os dados assim que receber a documentação necessária.
