Cinema brasileiro faz história no Globo de Ouro com vitória dupla de “O Agente Secreto”

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By LatAm Reports Redatores da Equipe

O cinema brasileiro voltou ao centro do palco internacional no domingo (11). Filme O Agente Secreto venceu duas categorias no Globo de Ouro: melhor filme de língua não inglesa e melhor ator, com Wagner Moura. O resultado marcou um feito inédito para uma produção nacional.

A cerimônia encerrou um jejum de quase três décadas desde o reconhecimento de Central do Brasil. Assim, a vitória teve peso simbólico e histórico para o audiovisual brasileiro.

O reconhecimento internacional e o discurso político do filme

O anúncio do prêmio de melhor filme veio pelas mãos da atriz britânica Minnie Driver, que arriscou palavras em português ao revelar o vencedor. A produção brasileira superou concorrentes da Noruega, França, Espanha, Coreia do Sul e Tunísia.

Na sequência, o diretor Kleber Mendonça Filho subiu ao palco e dedicou a conquista aos jovens cineastas. Segundo ele, o momento é decisivo para quem insiste em fazer cinema autoral, tanto no Brasil quanto fora dele.

Além disso, o diretor ressaltou que o filme nasce de um período histórico marcado por silêncios, traumas e disputas de memória. Por isso, o reconhecimento internacional amplia o alcance dessa narrativa.

Wagner Moura leva prêmio de melhor ator e emociona plateia

Ainda havia expectativa para outra categoria. Pouco depois, Wagner Moura foi anunciado como vencedor de melhor ator. Ele recebeu aplausos de pé e cumprimentos de artistas consagrados durante o caminho até o palco.

No discurso, o ator agradeceu aos colegas indicados, à equipe do filme e ao diretor. Também destacou que O Agente Secreto trata de memória, trauma geracional e valores transmitidos ao longo do tempo.

Segundo Moura, se o trauma pode atravessar gerações, os valores também podem. Por isso, dedicou o prêmio à família e ao público brasileiro, encerrando com uma celebração à cultura do país.

Uma história ambientada na ditadura e o caminho até o Oscar

O filme O Agente Secreto acompanha um professor universitário que retorna ao Recife nos anos 1970, em plena ditadura militar. Ele tenta recomeçar a vida e reencontrar o filho. No entanto, o passado ressurge aos poucos, revelando perseguições e ameaças.

Embora o prêmio de melhor filme de drama tenha ficado com Hamnet – a vida antes de Hamlet, o saldo foi considerado extremamente positivo. Pela primeira vez, uma produção brasileira venceu duas categorias no Globo de Ouro.

Na manhã seguinte, Kleber Mendonça Filho afirmou que a ficha “cai em câmera lenta”. Segundo ele, o reconhecimento chega aos poucos, filme após filme. Ainda assim, o diretor destacou que o mais importante é abrir caminho para outros cineastas brasileiros.

A campanha para o Oscar segue com cautela. Wagner Moura afirmou que o trabalho é feito dia a dia. Por outro lado, a presença constante do filme nas premiações já indica que o cinema brasileiro voltou a ser levado a sério.

A comemoração terminou como manda a tradição. Houve samba, celebração e a sensação de que a história ainda está em construção.