Já são 28 mulheres que procuraram a polícia contra o médico Daniel Pereira Kollet. Ele foi preso preventivamente em Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre. As denúncias apontam crimes sexuais cometidos durante atendimentos médicos. Segundo a investigação, os abusos ocorriam há pelo menos dois anos.
Uma nova denúncia ampliou o alcance do caso. Uma moradora de Porto Alegre procurou a polícia após a divulgação da prisão. Ela afirma ter sido vítima do cardiologista em um hospital da capital gaúcha. Anteriormente, todos os registros eram da região de Taquara. Por essa razão, os investigadores agora acreditam que Kollet agia também em Porto Alegre.
No relato obtido pelo g1, a mulher descreve uma consulta de ecocardiografia. Segundo ela, o médico a abraçou, fez comentários sobre sua aparência e encostou a parte íntima do corpo em sua perna. Ela estava sem roupa na parte superior, como exige o exame. “Eu não reagi por medo, surpresa e pela posição de vulnerabilidade em que me encontrava”, disse a paciente. Além disso, relatou que Kollet fez perguntas pessoais, elogiou sua aparência e a convidou para tomar café. Ao final, ele mesmo limpou o gel do corpo dela — mesmo após ela dizer que faria sozinha. Em seguida, pediu que ela não comentasse o ocorrido com ninguém.
O padrão de violência descrito pela polícia
O delegado Valeriano Garcia Neto revelou que o cardiologista repetia um comportamento semelhante com diversas pacientes. Ele abraçava, beijava e acariciava as mulheres enquanto estavam sem roupa durante o atendimento. As vítimas ficavam em estado de choque. Ao final de cada consulta, pedia segredo a todas.
Um dos casos mais graves envolve uma paciente que foi medicada de forma controlada. Kollet pedia que ela retornasse ao consultório com frequência. “Ele dopava a vítima e praticava estupros reiterados de forma sistemática”, explicou o delegado. A mulher só percebeu que algo estava errado quando levou uma familiar à consulta. Nesse dia, o médico não a tocou. Posteriormente, outro profissional confirmou que ela não tinha problema de saúde e não precisava de medicação.
A Polícia Civil investiga os possíveis crimes de importunação sexual, violação sexual mediante fraude, estupro e estupro de vulnerável. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone (51) 98443-3481. Kollet foi encaminhado ao centro de triagem de presos na capital.
A defesa do médico, representada pelo advogado Rômulo Campana, negou todas as acusações. Afirmou que Kollet atua há quase 30 anos com conduta ilibada. O Cremers, por sua vez, informou que medidas administrativas já foram tomadas e que a situação é grave.
