O governo prepara para o início de setembro um pacote para atrair data centers ao país. A ideia é reduzir custos de investimento e, ao mesmo tempo, reposicionar o Brasil no mapa da nuvem.
O movimento busca diálogo com conglomerados dos EUA e com outras multinacionais. Além disso, tenta deslocar o foco de tensões comerciais para projetos concretos e mutuamente vantajosos.
O plano ficou congelado no primeiro semestre, em meio a ruído fiscal. Agora, porém, voltou à mesa. Em paralelo, a proposta de criar novos tributos sobre big techs foi engavetada, para não elevar o atrito externo.
Como o plano deve funcionar
O “Redata” prevê isenções federais em equipamentos e obras de data center. Entram PIS, Cofins, IPI e imposto de importação. Em troca, os projetos terão de operar com 100% de energia renovável. Assim, o país transforma sua matriz elétrica, cada vez mais eólica e solar, em vantagem competitiva.
Em julho, o governo atualizou as regras das Zonas de Processamento de Exportação. As novas ZPEs exigem contratação de energia de usinas renováveis a serem construídas. O texto precisa de aval do Congresso, mas já orienta investidores que estudam terrenos, linhas de transmissão e licenças.
Na prática, o Brasil tenta se firmar como hub regional. Há cabos submarinos nas costas, malha de fibra de longa distância e espaço para PPAs de longo prazo com geradoras. Isso reduz CAPEX e OPEX ao dar previsibilidade de preço. Portanto, melhora a conta de quem opera grandes cargas computacionais.
Soberania e desempenho também pesam. Com mais regiões de nuvem locais, a latência cai. Setores como finanças, saúde e governo ganham velocidade e conformidade regulatória. Além disso, aplicações de IA generativa e computação de borda exigem servidores perto do usuário final.
Há desafios óbvios. Licenciamento ambiental exige planejamento de água, calor e ruído. A rede elétrica precisa de subestações e reforços. Sem isso, canteiros param. Por outro lado, a cadeia nacional tem trunfos: engenharia pesada, aço, obras civis e montagem. Com cursos técnicos, é possível formar equipes rapidamente e gerar empregos nas regiões escolhidas.
Projetos no Nordeste — como estudos no Complexo do Pecém — são citados por investidores como vitrines potenciais. Ainda assim, tudo depende de três palavras: energia barata, segurança jurídica e cronograma. Se o governo entregar previsibilidade, o “Redata” vira gatilho de investimento. Caso contrário, a janela fecha.