Estudo internacional coloca duas regiões brasileiras entre os dez casos mais graves de seca prolongada nas últimas décadas. Especialistas confirmam tendência de piora nos próximos anos.
O planeta tem enfrentado um aumento preocupante nas chamadas “mega secas” — longos períodos de estiagem que duram ao menos dois anos. O Brasil aparece duas vezes no ranking dos dez eventos mais severos registrados entre 1980 e 2018, segundo estudo da revista Science.
Na região da Amazônia Sul-Ocidental, uma seca intensa durou de 2010 a 2018. A estiagem secou rios importantes, como Madeira e Solimões, e isolou comunidades ribeirinhas. Durante esse período, o número de queimadas subiu mais de 30% em relação à média.
Já entre 2014 e 2017, os estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro enfrentaram uma das maiores crises hídricas da história. O Sistema Cantareira chegou a operar com o chamado “volume morto”. A escassez afetou o abastecimento de água e a geração de energia elétrica.
Impactos da seca se intensificam em todo o planeta
Segundo os cientistas, três fatores principais estão por trás do agravamento: o aumento da temperatura global, a redução das chuvas em áreas críticas e a evaporação excessiva do solo e da vegetação.
Nas regiões tropicais, como a Amazônia, a floresta mostra resistência inicial. No entanto, quando a estiagem se prolonga, os danos se tornam profundos e difíceis de reverter.
Na África, a bacia do Congo sofreu com quase dez anos de seca contínua. Já na Mongólia, a vegetação foi reduzida em quase 30%. O padrão é global: onde o clima é mais quente, a seca se torna mais destrutiva.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) reforça que o Brasil já sente os efeitos dessa tendência. Em 2023 e 2024, os rios Negro e Paraguai atingiram níveis mínimos históricos. A quantidade de queimadas na Amazônia bateu recorde. Em outubro de 2024, mais de 500 cidades registraram prejuízos de até 80% nas áreas agrícolas.
Além da agricultura, a seca impacta diretamente a geração de energia e o abastecimento das cidades. Com os reservatórios em baixa, o risco de apagões aumenta.
Segundo dados do Cemaden, mais da metade do território nacional sofreu com secas severas em 2024. Estima-se que cerca de 1.200 municípios foram diretamente afetados. O semiárido e o Centro-Oeste estão entre as regiões mais vulneráveis, tanto por razões climáticas quanto socioeconômicas.
Para o WWF-Brasil, a resposta precisa ser rápida. Políticas públicas, tecnologias de adaptação e proteção dos biomas são medidas essenciais para mitigar os impactos. O conhecimento técnico já existe. O desafio agora é transformar informação em ação.
Acompanhe o LatAm Reports para mais análises exclusivas sobre meio ambiente, política e economia.