Bradesco lucra R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre, mas alta da inadimplência acende alerta

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By LatAm Reports Staff Writers

O Bradesco abriu a temporada de balanços dos grandes bancos com lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 14,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O número veio em linha com o esperado pelo mercado, mas o detalhe que chamou a atenção dos analistas estava em outra linha do balanço: o custo de se proteger contra calotes.

As despesas com provisões para perdas somaram R$ 10,6 bilhões no trimestre, e a inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6%. Na prática, o banco consegue crescer e ampliar o crédito, mas precisa reservar cada vez mais dinheiro para cobrir empréstimos que podem não ser pagos. Para Fernando Bresciani, analista do Andbank, os indicadores de inadimplência de curto prazo sugerem pressão maior nos próximos meses, o que pode exigir provisões adicionais no quarto trimestre.

O pano de fundo é o endividamento elevado das famílias e das pequenas e médias empresas, em um cenário de juros ainda altos. Mesmo com o Copom tendo cortado a Selic para 13,75% em setembro, o crédito segue caro, e o efeito sobre a capacidade de pagamento dos tomadores aparece com atraso nos balanços dos bancos.

A reação na Bolsa foi contida. Nesta sexta-feira (23), as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) subiram 0,74%, em um pregão em que o Ibovespa avançou 0,47%, aos 205.082 pontos, no último dia de negociação antes do segundo turno. O dólar caiu 0,90% e fechou a R$ 4,993, de volta abaixo de R$ 5, ajudado por um IPCA-15 de outubro abaixo das expectativas, que derrubou os juros futuros. Entre os bancos, o destaque do dia foi o Banco do Brasil (BBAS3), com alta de 3,34%.

O resultado do Bradesco serve de termômetro para o restante do setor. O Itaú divulga seus números em 3 de novembro, e o Banco do Brasil, em 11 de novembro. Para o BB, a principal preocupação dos analistas é a exposição ao agronegócio, segmento em que os atrasos de pagamento vêm crescendo ao longo do ano.

A temporada de balanços acontece em meio à expectativa pelo segundo turno de domingo (25), cujo resultado deve definir os rumos da política fiscal e, por consequência, dos juros e do crédito em 2027. Acompanhe a cobertura na editoria de Negócios da LatAm Reports.