Áudio revela negociação de propina de R$ 50 mil para delegado interromper investigação em SP

Um Áudio revela negociação de propina de R$ 50 mil para delegado interromper investigação em SPobtido pela GloboNews e incluído em investigação sobre corrupção na Polícia Civil de São Paulo mostra uma conversa entre o advogado Guilherme Nasser e o doleiro Cléber Azevedo dos Santos discutindo o pagamento de propina para interromper um inquérito policial.

Segundo os investigadores, o diálogo faz parte das provas reunidas na Operação Bazaar, deflagrada em ação conjunta pelo Ministério Público de São Paulo, Polícia Federal e Corregedoria Geral da Polícia Civil.

Na gravação, os dois discutem a possibilidade de pagar R$ 50 mil para um delegado encerrar a investigação aberta em outubro de 2022.

Durante a conversa, o advogado afirma que poderia resolver o problema devido à relação próxima com o delegado responsável pelo caso.

Negociação para encerrar investigação

Em um trecho do áudio, Nasser sugere dividir o valor da propina para viabilizar a negociação.

“Eu acho que uns ‘cinquentinha’ de um lado, ‘cinquentinha’ de outro, a gente consegue matar isso daí”, afirma na gravação.

Segundo a investigação, o delegado citado na conversa seria João Eduardo da Silva, que atuava no 16º Distrito Policial, na Vila Clementino, na época dos fatos.

O delegado foi preso durante a operação e atualmente estava lotado no 35º Distrito Policial, no Jabaquara.

Promotores afirmam que a apuração policial teria sido mantida informalmente, sem intimações ou registros oficiais, configurando o que chamam de “investigação de gaveta” utilizada para pressionar investigados e obter vantagem financeira.

Esquema de corrupção dentro da polícia

A Operação Bazaar investiga um esquema de corrupção sistêmica dentro da Polícia Civil paulista, envolvendo policiais, advogados e operadores financeiros.

Segundo os investigadores, delegacias especializadas teriam sido usadas para negociar a interrupção de investigações mediante pagamento de propina.

Mensagens e áudios encontrados em celulares apreendidos indicam que alguns policiais cobravam valores que chegavam a R$ 33 milhões para encerrar inquéritos.

Em outra troca de mensagens analisada pela investigação, um dos suspeitos afirma que um delegado já teria recebido mais de R$ 20 milhões em pagamentos ilegais.

Os pagamentos, segundo as autoridades, eram feitos de forma fracionada para dificultar o rastreamento financeiro.

Prisões e investigação em andamento

Até o momento, nove pessoas foram presas na operação. Entre elas estão policiais civis, doleiros e advogados suspeitos de participação no esquema.

Entre os detidos estão o delegado João Eduardo da Silva, o escrivão Ciro Borges Ferraz e o doleiro Cléber Azevedo dos Santos.

A contadora Meire Bonfim da Silva Poza, conhecida por atuação em casos investigados na Operação Lava Jato, também foi presa.

A Justiça autorizou ainda mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens dos investigados.

Em nota, o advogado Guilherme Nasser afirmou que as medidas cautelares impostas contra ele representam uma “verdadeira intimidação à atividade da advocacia”. Segundo ele, sua atuação estava restrita a questões empresariais e qualquer irregularidade será contestada.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a Corregedoria participa da investigação e que a Polícia Civil não tolera desvios de conduta de seus integrantes.