A primeira segunda-feira após a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela já teve reflexos diretos no Brasil. Em Boa Vista, capital de Roraima, o Posto de Triagem da Operação Acolhida registrou uma longa fila de migrantes venezuelanos nesta segunda-feira (5).
O movimento ocorreu poucos dias depois da captura de Nicolás Maduro, levada a público pelo presidente dos EUA. Desde então, a instabilidade política aumentou a insegurança entre quem deixou o país vizinho ou tenta regularizar a permanência em território brasileiro.
O posto funciona como principal porta de entrada para a emissão de documentos básicos. No local, migrantes solicitam refúgio, residência temporária, CPF, carteira de trabalho e vacinação. Por isso, qualquer mudança no cenário venezuelano costuma refletir rapidamente na procura pelo serviço.
Relatos de incerteza e expectativa por mudanças
Segundo a coordenação da Operação Acolhida, o fluxo observado é comum para o início da semana. Ainda assim, a concentração de pessoas chamou atenção.
De acordo com o Exército, não houve atendimento no fim de semana. Assim, parte da fila se explica pela retomada das atividades. Mesmo assim, o momento político na Venezuela influenciou a decisão de muitos migrantes de buscar regularização imediata.
Entre os que aguardavam atendimento estava Aranza Velasquez, de 33 anos, que chegou ao Brasil em dezembro. Ela afirma viver sentimentos mistos. Por um lado, rejeita a violência. Por outro, acredita que o país passa por um momento decisivo.
Além disso, o impacto atinge quem tenta sobreviver no entorno do posto. Manuel Garcia, de 69 anos, vende capas para documentos enquanto espera concluir o próprio processo migratório. Ele demonstra gratidão pelo acolhimento, mas admite angústia ao falar da família que ficou na Venezuela.
Há também quem já esteja no Brasil há meses e retornou apenas para renovar papéis. É o caso de Lilibe Bassante, de 52 anos, que vive em Boa Vista com a família. Para ela, apesar do medo, há esperança de mudança.
No Norte do estado, o posto de triagem de Pacaraima também retomou os atendimentos. Até a manhã desta segunda, o fluxo era considerado tranquilo. O Exército segue monitorando a situação para avaliar se haverá aumento na entrada de venezuelanos nos próximos dias.
