Em apenas seis meses, o Brasil importou mais de 130 kg de insumos farmacêuticos ativos para a produção de tirzepatida. Esse volume é suficiente para fabricar cerca de 25 milhões de doses de canetas manipuladas. O dado foi apresentado pela Anvisa nesta segunda-feira (6), em coletiva que acendeu o alerta sobre a circulação dessas substâncias no país. Atualmente, as canetas são usadas no tratamento de diabetes e também para emagrecimento.
Os insumos farmacêuticos ativos são a matéria-prima dos medicamentos. No caso da tirzepatida, funcionam como base das canetas aplicadas por pacientes. Além dos produtos industrializados com registro sanitário, a legislação brasileira permite a forma magistral. Ou seja, farmácias de manipulação podem produzir o medicamento sob demanda. Contudo, a Anvisa aponta que esse modelo ampliou a circulação de maneira preocupante.
Entre novembro de 2025 e abril de 2026, mais de 100 kg desses insumos foram importados. A quantidade daria para produzir 20 milhões de doses de 5 mg. A agência fiscalizou pelo menos 11 farmácias e encontrou irregularidades graves. Foram identificados produtos sem registro, falhas de esterilidade, problemas na cadeia fria e até itens falsificados. Além disso, parte dos insumos tinha origem desconhecida e nenhum controle de qualidade.
Riscos à saúde e novas regras
Por essa razão, a Anvisa prepara uma atualização na norma que regula a manipulação de tirzepatida. A previsão é divulgar o novo texto no dia 15 de abril. De acordo com a direção da agência, a medida responde ao aumento tanto do volume de importação quanto dos efeitos adversos notificados.
Em fevereiro, o g1 revelou seis mortes suspeitas por pancreatite associadas a canetas emagrecedoras. Somam-se a esse número mais de 60 óbitos relacionados ao uso desse tipo de medicamento. Cerca de 26% dos casos envolvem uso fora da bula — o chamado off-label.
A agência também vai mudar a farmacovigilância. A partir de agora, haverá busca ativa por eventos adversos ligados a medicamentos manipulados. Por consequência, o monitoramento será concentrado em emergências, hospitais e clínicas. A ideia é acompanhar de perto os riscos para quem utiliza essas substâncias sem controle adequado.
