Internada há quase três meses, a advogada Juliane Vieira, de 29 anos, está consciente e respirando naturalmente. A informação foi confirmada nesta terça-feira (14) pelo Hospital Universitário de Londrina, onde ela está internada desde outubro de 2025. Apesar da melhora clínica, ainda não há previsão de alta.
Juliane ficou gravemente ferida ao salvar a mãe e o primo de quatro anos durante um incêndio no apartamento da família, no centro de Cascavel. O fogo atingiu o imóvel no dia 15 de outubro, e a jovem sofreu queimaduras em cerca de 63% do corpo.
Segundo o hospital, a paciente respira sem auxílio de aparelhos e apresenta evolução estável. No entanto, o quadro ainda exige cuidados contínuos e acompanhamento especializado, já que o tratamento de grandes queimados costuma ser longo e delicado.
Em dezembro, a mãe de Juliane, Sueli Vieira, contou que a filha começou a despertar gradualmente do coma induzido e passou a se comunicar com familiares. Foram quase dois meses de internação no Centro de Tratamento de Queimados, referência no Paraná, até que os primeiros sinais de melhora aparecessem.
Incêndio não foi criminoso, aponta investigação
Em novembro, a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o incêndio e descartou a hipótese de crime. De acordo com o laudo pericial, as chamas começaram na cozinha do apartamento e se espalharam rapidamente. Não houve indícios de ação intencional.
Imagens que circularam nas redes sociais à época mostraram Juliane do lado de fora do prédio, pendurada em um suporte de ar-condicionado, enquanto ajudava a mãe e a criança a escapar do local. Após o resgate, ela foi retirada pelos bombeiros em estado grave.
A mãe sofreu queimaduras no rosto e nas pernas, além de inalar fumaça. Ela ficou 11 dias internada e recebeu alta. Já o primo foi transferido para Curitiba, permaneceu hospitalizado por pouco mais de duas semanas e também se recuperou. Dois bombeiros que atuaram no resgate tiveram ferimentos leves.
Amigos descrevem Juliane como determinada e resiliente. Advogada e praticante de crossfit, ela costumava compartilhar a rotina de treinos e momentos com a família. Segundo pessoas próximas, o gesto no dia do incêndio refletiu uma característica marcante: agir rápido diante do perigo, mesmo colocando a própria vida em risco.
