Imprensa internacional repercute conversa de Flávio Bolsonaro com Vorcaro: “Crise de proporções incalculáveis”

A conversa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro virou notícia nos principais veículos internacionais. Na quarta-feira (13), o pré-candidato à Presidência admitiu ter pedido dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo reportagem do The Intercept Brasil, o valor negociado chegou a US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época.

Do total, R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025. Diante de atrasos nos pagamentos restantes, Flávio enviou mensagens cobrando a liberação dos recursos. Vorcaro está preso sob acusação de comandar fraudes bilionárias no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro. Atualmente, ele negocia um acordo de delação premiada.

O que dizem os veículos internacionais

O argentino La Nación classificou o episódio como “uma crise de proporções ainda incalculáveis”. Segundo o jornal, o caso abala a pré-campanha de Flávio e ameaça reconfigurar o cenário político a menos de cinco meses das eleições. Além disso, destacou que o escândalo coloca o senador na mira do sistema judiciário e questiona seu discurso de transparência — justamente quando as pesquisas mostram empate com Lula.

O La Nación também analisou o impacto sobre a sucessão na direita. Tarcísio de Freitas está descartado da corrida presidencial porque o prazo legal para deixar o cargo já expirou. Por essa razão, Michelle Bolsonaro aparece como “o Plano B mais visível em intenções de voto”. Contudo, o jornal ressaltou que o relacionamento dela com os filhos de Jair Bolsonaro é descrito como “péssimo”.

O Washington Post publicou reportagem da Associated Press destacando que Flávio nega irregularidades. Todavia, o texto aponta uma contradição: horas antes de as mensagens se tornarem públicas, o senador disse a jornalistas que não tinha ligação com Vorcaro. Ele havia feito a mesma afirmação em março, após a imprensa noticiar que seu número foi encontrado em celulares apreendidos pela PF.

Os mercados financeiros também reagiram. A Reuters destacou que o real caiu mais de 2% e fechou acima de R$ 5 por dólar pela primeira vez no mês. O Ibovespa recuou 1,8%. Segundo a agência, investidores passaram a especular que o caso poderia influenciar o resultado da disputa presidencial. A Bloomberg seguiu na mesma linha e chamou a queda de “desabamento” do real após a ligação entre Bolsonaro e o escândalo bancário.

De fato, até aqui o cenário de segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula era considerado o mais provável para 2026. Pesquisas indicavam empate técnico entre os dois. Por conseguinte, o impacto do caso sobre a candidatura do senador será acompanhado de perto nos próximos dias — tanto pela política quanto pelo mercado.