O presidente Lula se encontrou com Donald Trump nesta quinta-feira (7) na Casa Branca. A reunião durou cerca de três horas. Logo depois, Trump classificou o encontro como “muito bom” e chamou Lula de “muito dinâmico”. O brasileiro, por sua vez, deu mais detalhes durante coletiva na embaixada em Washington.
Segundo Lula, a conversa teve como foco a retomada da relação entre os dois países. Ele afirmou que quer que os EUA vejam o Brasil como parceiro estratégico. Além disso, disse que os americanos deram pouca atenção à América Latina nos últimos anos. Por conseguinte, a China avançou na região. Lula propôs a criação de um grupo de trabalho bilateral para tratar de impasses comerciais envolvendo tarifas. Uma proposta deve ser apresentada em 30 dias.
Terras raras e soberania
O tema das terras raras e minerais críticos também entrou na pauta. Lula defendeu que o Brasil não quer repetir o modelo histórico de exportar matéria-prima sem agregar valor. “O que nós não queremos é ser meros exportadores”, disse. Ele afirmou que o país está aberto a parcerias, inclusive com empresas americanas. Contudo, deixou claro que o objetivo é desenvolver a cadeia produtiva internamente. “Nós queremos que o Brasil seja o grande criador dessa riqueza que a natureza nos deu”, declarou.
Lula disse que apresentou a Trump a visão brasileira sobre conflitos internacionais. Defendeu o diálogo como alternativa a intervenções militares. Todavia, reconheceu que não espera mudanças imediatas na postura do americano. “Trump não vai mudar o jeito dele por causa de uma reunião de três horas comigo”, afirmou.
Sobre Cuba, Lula relatou que Trump disse não ter intenção de invadir a ilha. Segundo o brasileiro, Havana tem demonstrado abertura ao diálogo. Além disso, o presidente se colocou à disposição para contribuir com negociações envolvendo Irã e Venezuela, caso haja interesse.
Lula também defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, a estrutura atual reflete a geopolítica de 1945 e não corresponde mais à realidade. Por essa razão, cobrou maior protagonismo dos países com assento permanente. Defendeu a inclusão de Brasil, Japão, Índia e nações africanas no grupo.
Copa e momentos de descontração
O encontro teve momentos leves. Lula brincou com Trump sobre a Copa do Mundo. “Espero que você não anule o visto dos jogadores brasileiros, porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa”, disse. Segundo ele, Trump riu. “Agora ele vai rir sempre”, completou.
O que ficou de fora
Dois temas não entraram na pauta: a classificação de facções brasileiras como grupos terroristas e o PIX. Sobre o sistema de pagamentos, Lula disse que levou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, preparado para o assunto. Contudo, como Trump não mencionou o tema, ele também decidiu não abordá-lo. “Eu espero que um dia ele ainda vai fazer um PIX”, brincou.
Atualmente, os EUA investigam o Brasil por supostas irregularidades em práticas comerciais. O PIX está entre os itens analisados. Segundo o governo americano, o sistema é visto como ameaça a empresas dos EUA. Mesmo assim, o assunto não foi tratado na reunião.
