Imagens exclusivas mostram esconderijo de luxo de traficante foragido no Vidigal

Um traficante condenado a 68 anos de prisão transformou uma mansão no alto do Vidigal, no Rio de Janeiro, em base para uma festa de aniversário. As imagens exclusivas obtidas pelo Fantástico revelam detalhes da estadia de Ednaldo Pereira Souza, o Dada, no imóvel. A casa tinha piscina, churrasqueira, oito quartos e câmeras de segurança. Ele fugiu horas antes da chegada da polícia.

Dada escapou do presídio de Eunápolis, na Bahia, no fim de 2024. Desde então, segundo o Ministério Público, se esconde no Complexo da Rocinha. Contudo, no último fim de semana, ele deixou a comunidade e seguiu para o Vidigal. O motivo era a festa de três anos da filha. A casa alugada serviu como ponto de encontro do grupo criminoso.

A localização do imóvel era estratégica. Ele fica no alto da comunidade, próximo à mata e em área de difícil acesso para a polícia. Por essa razão, o local facilitava fugas e permitia vigilância sobre a movimentação no entorno. Dias antes da chegada de Dada, outros criminosos armados já estavam no imóvel. Mesmo evitando circular com fuzis aparentes, o grupo confiava na proteção do tráfico local. As imagens, porém, mostram armas sendo guardadas nos quartos.

Nas gravações, comparsas apresentam a suíte reservada ao líder — chamada por eles de “presidencial”. Além disso, é possível ver a preparação para o evento: limpeza da casa, tratamento da piscina e montagem de mesas para churrasco. Dada chegou escoltado por homens armados. Promotores afirmam que ao menos 20 fuzis aparecem nos registros feitos no local.

A festa principal aconteceu no domingo, com brinquedos infantis, algodão-doce e bebidas. Outros foragidos também estavam presentes. Entre eles, Édson Santos Cruz, conhecido como Gana ou Bomba, e Sirlon Rosário Dias Silva, que fugiu do presídio junto com Dada. Para os investigadores, o encontro não foi apenas uma confraternização. Outrossim, serviu para tratar de negócios do tráfico.

Na madrugada de segunda-feira (20), o grupo deixou a mansão de forma tranquila. Cerca de três horas depois, a polícia chegou ao imóvel — que já estava vazio. A operação provocou tiroteio na região e deixou turistas ilhados no Morro Dois Irmãos. Todavia, Dada não foi encontrado.

A saída antecipada levantou suspeitas sobre possível vazamento de informação. O Ministério Público afirmou que apura o caso. Já a Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) negou qualquer tipo de vazamento.