O Banco de Brasília (BRB) anunciou nesta segunda-feira (20) a assinatura de um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital. O objetivo é criar um fundo de investimento para receber ativos que o banco detém atualmente — todos originados de operações com o Banco Master.
Valor de referência da operação é de até R$ 15 bilhões. Do total, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões serão pagos à vista. O restante, estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas de um fundo criado especificamente para administrar e monetizar esses ativos.
Segundo o BRB, a medida faz parte de um processo de reestruturação. A intenção é fortalecer a estrutura de capital, aumentar a liquidez e reorganizar a gestão do portfólio.
Por que o BRB precisa vender esses ativos
A necessidade de se desfazer desses ativos está diretamente ligada ao colapso do Banco Master. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025, após uma crise de liquidez e a descoberta de fraudes em suas carteiras de crédito.
O Ministério Público Federal identificou que, entre 2024 e 2025, o BRB injetou pelo menos R$ 16,7 bilhões no Master. Desse montante, ao menos R$ 12,2 bilhões envolvem operações com fortes indícios de fraude. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso na semana passada sob acusação de receber propinas em imóveis estimadas em R$ 146,5 milhões.
Diante desse cenário, o banco estatal precisa limpar seu balanço e recuperar credibilidade junto ao mercado e aos reguladores.
O acordo não foi uma surpresa total. Na sexta-feira anterior (10), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, já havia mencionado que um fundo de investimentos propôs pagar R$ 15 bilhões por parte dos ativos vinculados ao Master. Na ocasião, ela não especificou quais ativos seriam incluídos — se de maior ou menor risco — nem quanto ainda ficaria na carteira do BRB.
Ainda não está confirmado se o acordo anunciado nesta segunda é exatamente o mesmo citado pela governadora.
Antes do anúncio, Celina e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, viajaram a São Paulo. Lá, se reuniram com investidores, com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Próximos passos
A conclusão do negócio ainda depende do cumprimento de condições previstas no memorando de entendimento. O BRB disse que continuará informando o mercado sobre eventuais avanços, conforme as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A Quadra Capital é uma gestora especializada em ativos de baixa liquidez — o que a torna uma candidata natural para esse tipo de operação. As negociações entre as duas partes vinham sendo conduzidas há cerca de dois a três meses.
