Morre Oscar Schmidt, o maior jogador de basquete da história do Brasil, aos 68 anos

Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. O eterno “Mão Santa” e lendário camisa 14 da seleção brasileira passou mal em casa e foi levado ao Hospital Municipal Santa Ana já em parada cardiorrespiratória. Chegou à unidade sem vida. A causa da morte não foi divulgada. Ele enfrentava um tumor cerebral havia mais de 15 anos.

A família lamentou a perda em nota e informou que o velório e o enterro serão restritos a familiares e amigos. Oscar deixa a esposa Maria Cristina Victorino, com quem era casado desde 1981, e dois filhos, Felipe e Stephanie.

Apenas nove dias antes da morte, ele havia sido homenageado pelo Comitê Olímpico do Brasil na cerimônia do Hall da Fama, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Contudo, não esteve presente por estar se recuperando de uma cirurgia. O filho Felipe o representou no evento. “Estar aqui para receber essa homenagem é o último capítulo de uma carreira cheia de vitórias”, disse na ocasião.

Uma vida dedicada ao basquete

Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu em 16 de fevereiro de 1958, em Natal, no Rio Grande do Norte. O sonho de infância era ser jogador de futebol. Todavia, a altura o levou para as quadras. Em Brasília, começou no Colégio Salesiano e depois seguiu para o Clube Unidade Vizinhança. Aos 16 anos, mudou-se para São Paulo e passou a jogar pelo Palmeiras. Logo chamou atenção e foi convocado para a seleção brasileira.

No Sírio, conquistou o Mundial de Clubes de 1979. Em seguida, disputou os Jogos Olímpicos de Moscou em 1980. No início dos anos 1980, foi para a Itália jogar pelo JuveCaserta. Permaneceu 11 temporadas na liga italiana, considerada à época a segunda mais forte do mundo.

Após os Jogos de Los Angeles em 1984, foi escolhido no draft da NBA pelo New Jersey Nets. Contudo, recusou o contrato. A razão era simples: a Fiba não permitia que jogadores da liga americana defendessem seleções nacionais. Oscar preferiu vestir a camisa do Brasil. Em 1987, a escolha se justificou de forma espetacular. Ele liderou a seleção na conquista do ouro no Pan-Americano de Indianápolis, com vitória sobre os Estados Unidos na final.

Em 1992, já com quase 35 anos, recebeu novos convites da NBA. Recusou mais uma vez. Voltou ao Brasil e jogou por Corinthians, Flamengo e outros clubes até se aposentar em 2003.

Recordes e legado

Ao longo da carreira, Oscar acumulou 49.737 pontos — marca que foi a maior da história do basquete mundial até 2024, quando LeBron James o superou. Disputou cinco Olimpíadas consecutivas e marcou 1.093 pontos nos Jogos, tornando-se o único atleta a ultrapassar a barreira dos mil. Foi cestinha em três edições olímpicas. Em Seul 1988, estabeleceu recordes que resistem até hoje, incluindo 55 pontos em um único jogo.

Além disso, foi incluído no Hall da Fama da NBA em 2013 e no Hall da Fama da Fiba — mesmo sem jamais ter pisado em uma quadra da liga americana como jogador oficial. É irmão do apresentador Tadeu Schmidt e tio do jogador de vôlei de praia Bruno Schmidt.

Em 2011, foi diagnosticado com câncer no cérebro. Passou por cirurgias e tratamentos ao longo de anos. Em 2022, chegou a afirmar que havia interrompido a quimioterapia por conta própria. Após repercussão, esclareceu que estava curado. Todavia, a doença persistiu nos anos seguintes.

O Comitê Olímpico do Brasil lamentou a morte em nota. “Mais do que resultados e medalhas, Oscar representou valores que definem o espírito olímpico: dedicação, superação, respeito ao adversário”, declarou o presidente do COB, Marco Antonio La Porta. De fato, poucos atletas brasileiros transcenderam tanto o próprio esporte. Oscar foi o maior responsável por fazer o basquete ocupar um lugar no coração do país.