Viajar de avião no Brasil está prestes a pesar ainda mais no bolso. A Petrobras reajustou em mais de 50% o preço médio do querosene de aviação vendido às distribuidoras a partir de abril.
O movimento acompanha a escalada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. Por consequência, especialistas ouvidos pelo g1 estimam que as passagens aéreas podem subir entre 10% e 20%.
Segundo Andre Castelini, sócio da Bain&Company, o custo para transportar um passageiro por quilômetro deve crescer cerca de 20%. Isso acontece porque quase metade das despesas das companhias aéreas é com combustível. Contudo, ainda não se sabe se o repasse será imediato ou gradual. Cada empresa vai avaliar a ocupação dos voos antes de decidir. Além disso, rotas pouco rentáveis podem ser cortadas. “O passageiro não consegue absorver esse aumento. Com isso, o número de passageiros pode cair, e aí passa a fazer sentido reduzir a oferta”, afirmou Castelini.
Maurício França, sócio da L.E.K. Consulting, projeta um cenário mais provável em torno de 15% de alta nas passagens. Ele alerta que o efeito sobre a demanda tende a ser proporcional. Ou seja, se o preço sobe 15%, a procura pode recuar na mesma proporção. Em viagens de lazer, a sensibilidade ao preço costuma ser maior. Já nas viagens corporativas, o impacto é um pouco menor. Mesmo assim, uma retração de 15% seria bastante significativa para o setor.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas classificou o reajuste como uma medida de “consequências severas”. Somado ao aumento de 9,4% aplicado desde março, o combustível passou a representar 45% dos custos operacionais das companhias.
Anteriormente, a fatia era pouco superior a 30%. Segundo a Abear, o cenário compromete a abertura de novas rotas e restringe a conectividade aérea do país. Todavia, a entidade não mencionou diretamente a possibilidade de aumento nos preços das passagens ao consumidor.
Desde o início do conflito no Oriente Médio, o barril de petróleo saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115. Mais de 80% do querosene consumido no Brasil é produzido internamente. Ainda assim, os preços seguem a paridade internacional, o que amplifica os efeitos da volatilidade externa.
Para amenizar o impacto, a Petrobras anunciou um parcelamento. Em abril, as distribuidoras pagarão alta equivalente a 18%. A diferença até os 54% previstos em contrato será diluída em seis parcelas a partir de julho. Além disso, o Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou à Fazenda uma proposta com medidas de alívio. Entre as sugestões estão a redução temporária de tributos sobre o querosene, corte do IOF sobre operações financeiras das aéreas e redução do Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves.
Outra medida em estudo é a criação de uma linha temporária do Fundo Nacional da Aviação Civil para compra de combustível. O Ministério da Fazenda informou que acompanha o cenário e que eventuais decisões serão tomadas com responsabilidade e em conformidade com os marcos fiscais vigentes.
