Uma tentativa de golpe milionário contra a família de um empresário paulista revelou um esquema elaborado, com documentos falsificados e até a simulação de um processo arbitral para dar aparência de legalidade. O caso veio à tona após herdeiros de João Carlos Di Genio acionarem a Justiça diante da cobrança de uma suposta dívida que se aproximava de R$ 900 milhões.
A alegação partia de uma empresa chamada Colonizadora Planalto Paulista, que afirmava que o empresário teria adquirido centenas de imóveis no interior de São Paulo sem efetuar o pagamento. No entanto, a investigação rapidamente indicou inconsistências graves na documentação apresentada.
Fraude em série levanta alerta sobre uso indevido de mecanismos legais
As apurações conduzidas por autoridades de São Paulo apontaram que os contratos apresentados continham assinaturas falsificadas. Segundo peritos, os documentos exibiam padrões idênticos de assinatura, algo incompatível com registros autênticos feitos por uma mesma pessoa em diferentes momentos.
Diante disso, investigadores concluíram que os responsáveis copiaram uma única assinatura verdadeira e a reproduziram nos demais papéis, criando uma aparência de autenticidade. Além disso, o grupo teria ido além ao simular uma câmara arbitral — mecanismo legal utilizado para resolver disputas fora do Judiciário — com o objetivo de validar a cobrança.
De acordo com o delegado Ronaldo Tossunian, houve inclusive a criação de uma falsa conciliação entre as partes, o que resultou na emissão de um título extrajudicial. Esse tipo de documento, em condições legítimas, permite a cobrança direta de valores sem necessidade de processo judicial tradicional.
A gravidade do caso levou à expedição de mandados de prisão contra nove suspeitos. No entanto, até o momento, apenas um deles foi detido. Um dos pontos que também chamou atenção dos investigadores foi o possível vazamento de informações sigilosas, já que ordens judiciais teriam aparecido em sistemas acessíveis, levantando a hipótese de que os envolvidos foram alertados com antecedência.
A família do empresário afirmou confiar nas autoridades e acompanha o avanço das investigações. O caso segue sob sigilo judicial, enquanto polícia e Ministério Público trabalham para identificar todos os responsáveis e entender a extensão da fraude.
