Seis mortes suspeitas por pancreatite levam Anvisa a investigar uso de canetas emagrecedoras

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By LatAm Reports Redatores da Equipe

O Brasil investiga seis mortes suspeitas por pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras. Os registros constam em notificações feitas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária e citam medicamentos amplamente conhecidos no mercado. Todos os casos ainda são tratados como suspeitos e seguem em apuração, o que significa que não há confirmação de relação direta de causa entre o uso das canetas e os óbitos.

Dados obtidos pelo g1 mostram que, entre as notificações enviadas ao sistema Vigimed, aparecem referências a Ozempic, Saxenda e Mounjaro. Segundo a Anvisa, mesmo quando o nome comercial é mencionado, existe a possibilidade de o produto envolvido não ser original. Isso porque versões falsificadas ou manipuladas dessas substâncias circulam de forma irregular no país.

O levantamento aponta ainda mais de 200 notificações de eventos relacionados a problemas no pâncreas. A análise desses dados pode levar anos, já que envolve avaliação clínica detalhada, histórico dos pacientes e possíveis fatores de risco associados.

A discussão ganhou força após alertas internacionais. No Reino Unido, autoridades de saúde passaram a monitorar casos semelhantes envolvendo medicamentos usados no tratamento de diabetes e obesidade. Ainda assim, especialistas reforçam que esse tipo de notificação não significa, por si só, que o medicamento seja a causa direta do problema.

O que dizem os alertas médicos e as empresas

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode variar de quadros leves a situações graves. Pessoas com obesidade e diabetes, público que normalmente utiliza esse tipo de medicação, já apresentam maior risco de desenvolver a doença. Por isso, médicos destacam que a simples associação temporal não é suficiente para estabelecer uma relação causal.

As empresas responsáveis pelos medicamentos informaram que a pancreatite consta como possível reação adversa nas bulas e que o uso deve ocorrer sempre com prescrição e acompanhamento médico. Segundo os fabricantes, pacientes precisam ser orientados a interromper o tratamento e procurar assistência médica ao surgirem sintomas compatíveis com inflamação pancreática.

A Anvisa reforça que, até o momento, não há recomendação para suspender o uso das canetas emagrecedoras. No entanto, a agência decidiu endurecer regras de controle, como a exigência de retenção de receita, justamente para reduzir riscos associados ao uso indiscriminado e à circulação de produtos irregulares.

Especialistas destacam que o acompanhamento médico é essencial e que cada caso precisa ser analisado individualmente. A investigação segue em curso, e novas medidas podem ser adotadas caso surjam evidências adicionais de risco.