O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que o primeiro fim de semana do pré-Carnaval de rua na capital foi “um sucesso”, mesmo após registros de superlotação, tumultos e atendimento médico a foliões em alguns dos principais blocos da cidade. A declaração foi dada à GloboNews nesta segunda-feira (9).
Segundo o prefeito, a avaliação positiva leva em conta o volume de público e o número considerado reduzido de ocorrências. Ele afirmou que, apesar das confusões registradas em megablocos como os de Calvin Harris e Ivete Sangalo, não houve casos graves entre os atendimentos realizados pelas equipes de saúde.
Nunes também declarou que a infraestrutura montada pela prefeitura, com apoio da Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana e serviços de emergência, funcionou de forma adequada. Para ele, situações de superlotação em grandes eventos exigem ajustes pontuais, que devem ser feitos ao longo da programação do Carnaval.
Críticas, pedidos de investigação e reação do governo estadual
As declarações do prefeito ocorreram após críticas públicas do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, que acusou a organização do evento de falhas graves, especialmente pelo descumprimento de horários e pela sobreposição de grandes blocos na Rua da Consolação. Em nota, o grupo afirmou que o cortejo foi desrespeitado de forma “triste e violenta”.
Diante dos episódios, o vereador Nabil Bonduki (PT) acionou o Ministério Público de São Paulo para pedir uma intervenção na organização do Carnaval de rua. Segundo ele, as cenas registradas no fim de semana representam risco à segurança dos foliões e não podem se repetir nos próximos desfiles.
Bonduki afirmou que interesses comerciais não podem se sobrepor à integridade física da população. Ele também criticou decisões da gestão municipal e defendeu que eventos desse porte sigam estritamente as recomendações técnicas e operacionais dos órgãos de segurança.
Além do vereador, a deputada federal Erika Hilton (PSOL) e a vereadora Amanda Paschoal (PSOL) protocolaram representação no MP-SP pedindo a apuração de possível gestão temerária na organização do Carnaval de 2026. Segundo o documento, houve autorização consciente para a realização simultânea de dois megablocos no mesmo local, apesar de alertas prévios sobre os riscos.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também comentou o episódio. Ele afirmou que a Consolação não comporta público na casa de 1,5 milhão de pessoas e avaliou que o Carnaval de rua da capital se tornou mais concorrido nos últimos anos. Para o governador, a atuação rápida das forças de segurança foi decisiva para evitar consequências mais graves.
A prefeitura informou que, diante da superlotação, acionou um plano de contingência, com abertura de vias de escape, retirada de gradis e bloqueio de novos acessos ao circuito. Segundo a administração municipal, não houve registro oficial de feridos graves.
