O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal apresente um novo cronograma de depoimentos no inquérito que apura fraudes financeiras no Banco Master. Além disso, reduziu de seis para dois dias o prazo máximo para a oitiva dos investigados.
Antes da decisão, os depoimentos estavam previstos para ocorrer entre 23 e 28 de janeiro. Agora, caberá à Polícia Federal sugerir novas datas, respeitando o limite de dois dias. A mudança foi formalizada após pedido da própria PF e acolhida por Toffoli no último dia 13.
Na decisão, o ministro registra que as oitivas já estavam autorizadas desde 15 de dezembro. No entanto, cita dificuldades logísticas, como limitação de pessoal e indisponibilidade de salas nas dependências do STF. Diante disso, optou por encurtar o calendário para concentrar os depoimentos.
A medida ocorre em meio a um ambiente de tensão entre o Supremo e a Polícia Federal. Nos bastidores, o caso é visto como uma queda de braço institucional, alimentada pelo receio de vazamento de informações extraídas de celulares e equipamentos apreendidos na Operação Compliance Zero.
Esse desgaste se intensificou após Toffoli decidir indicar nominalmente quatro peritos da Polícia Federal para analisar o material apreendido. O procedimento foi interpretado internamente como um gesto duro, por não passar pela direção do Instituto Nacional de Criminalística, responsável por distribuir esse tipo de demanda. Ainda assim, fontes reconhecem que os peritos escolhidos têm alta qualificação técnica.
Dias antes, o ministro havia determinado que a Procuradoria-Geral da República ficaria responsável pela análise dos dados, alterando uma decisão anterior que mantinha os equipamentos sob custódia direta do STF. A PF argumentou que a restrição poderia prejudicar o andamento da investigação.
O pano de fundo é um dos maiores escândalos financeiros recentes. Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília, em operações que somam R$ 12,2 bilhões. O caso chegou ao STF no fim de 2025 e segue sob relatoria de Toffoli, que inicialmente impôs sigilo ao processo.
Apesar das disputas institucionais, a apuração avança. A expectativa é que os próximos depoimentos ajudem a esclarecer o alcance das fraudes e o papel dos principais envolvidos, enquanto o Supremo tenta impor ritmo e controle ao andamento do caso.
