A advogada Tayane Dalazen afirmou que a mordida que sofreu de um tubarão-lixa, durante um mergulho em Fernando de Noronha, pode ter sido uma reação direta do animal. Segundo ela, imagens registradas no local mostram um guia de turismo atingindo um tubarão pouco antes do incidente. Para Tayane, a sequência dos fatos é clara. “Toda ação tem uma reação”, afirmou.
A declaração foi dada nesta terça-feira (13), durante entrevista ao programa Encontro. Na conversa, a turista mostrou o ferimento na perna, relatou o atendimento médico e descreveu os momentos que antecederam a mordida. O caso ocorreu na sexta-feira (9), enquanto ela praticava mergulho de apneia na área do Porto de Santo Antônio, em frente à Associação Noronhese de Pescadores.
Apesar das imagens, Tayane diz não ter certeza se o tubarão que foi atingido é o mesmo que a mordeu. Ainda assim, avalia que a ação do guia pode ter alterado o comportamento dos animais na região. Para ela, o episódio levanta questionamentos sobre a condução das atividades turísticas em áreas sensíveis do arquipélago.
Especialista diverge, mas ICMBio vê indício de infração ambiental
Durante a reportagem, o engenheiro de pesca Léo Vera, especialista em tubarões e morador da ilha há mais de três décadas, afirmou que não vê culpados no episódio. Segundo ele, a atitude do condutor teria sido uma tentativa de afastar o animal, prática comum entre mergulhadores experientes quando há aproximação excessiva.
Ainda assim, Tayane contestou essa avaliação. De acordo com a advogada, a legislação ambiental proíbe qualquer tipo de contato físico que perturbe animais silvestres. Ela citou a lei federal 9.514, que prevê multa para quem tocar ou incomodar a fauna em ambientes naturais protegidos.
Diante das imagens, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade abriu uma investigação para apurar a conduta do guia. Segundo o órgão, a gravação indica uma possível agressão ambiental. A identificação do responsável está em andamento, e medidas administrativas podem ser adotadas.
Enquanto isso, a turista segue em recuperação. O ferimento recebeu apenas dois pontos, por orientação médica, devido ao risco de infecção. A cicatrização ocorre de dentro para fora, e, segundo ela, a evolução tem sido positiva.
