Um em cada três trabalhadores no Brasil já atua em ocupações impactadas pela inteligência artificial

Quase um terço dos trabalhadores brasileiros exerce atividades que podem ser diretamente impactadas pela inteligência artificial. O dado faz parte de um estudo do FGV Ibre e revela como a tecnologia vem redesenhando o mercado de trabalho no país de forma acelerada.

De acordo com o levantamento, cerca de 30% da população ocupada atua em funções classificadas como “expostas à IA”. Isso significa que essas atividades têm parte relevante das tarefas passível de automação, apoio ou substituição por sistemas inteligentes.

Embora a exposição não represente, necessariamente, perda imediata de postos de trabalho, o estudo aponta que as transformações já estão em curso. Portanto, a adaptação profissional passa a ser um fator decisivo para a permanência no mercado.

Mulheres, jovens e trabalhadores mais escolarizados lideram a exposição

O impacto potencial da inteligência artificial não é homogêneo. Segundo o estudo, a exposição é maior entre mulheres, jovens e profissionais com maior nível de escolaridade. Além disso, o Sudeste concentra a maior parcela desses empregos, reflexo do perfil econômico da região.

O setor de serviços aparece como o mais vulnerável. Áreas como finanças, educação, comunicação, tecnologia da informação e atividades administrativas concentram ocupações em que a IA pode assumir tarefas rotineiras, analíticas ou repetitivas.

Ainda assim, os pesquisadores destacam que exposição não equivale, automaticamente, à substituição total do trabalhador. Em muitos casos, a tecnologia tende a atuar como ferramenta de apoio, aumentando a produtividade e exigindo novas competências.

Por outro lado, funções com baixa exigência de interação humana complexa ou julgamento subjetivo tendem a sofrer mudanças mais profundas. Assim, habilidades como pensamento crítico, criatividade e capacidade de adaptação ganham relevância.

O estudo também indica que o avanço da IA pode ampliar desigualdades caso não haja políticas de qualificação profissional. Sem isso, parte dos trabalhadores pode enfrentar maior dificuldade de reinserção em um mercado cada vez mais tecnológico.