O Tribunal de Contas da União decidiu aprofundar a análise sobre o caso do Banco Master. Nesta sexta-feira (2), o presidente da Corte, Tribunal de Contas da União, determinou a realização de uma inspeção técnica em documentos que estão sob guarda do Banco Central. A medida amplia o escopo da fiscalização sobre a liquidação da instituição financeira.
A inspeção foi autorizada mesmo durante o recesso do tribunal. Segundo o ministro Vital do Rêgo Filho, os trabalhos terão início imediato, diante da relevância do material analisado e da complexidade do caso. Os documentos não foram anexados ao relatório enviado pelo Banco Central ao TCU por razões de sigilo.
Análise será feita dentro do Banco Central
Por isso, os técnicos do tribunal irão até a sede do Banco Central para examinar os arquivos no próprio local. De acordo com o presidente do TCU, a equipe técnica solicitou formalmente o acesso direto à documentação, já que os papéis embasaram o relatório que detalha todo o histórico do Banco Master.
Ainda segundo Vital do Rêgo, o material analisado dará origem a um relatório técnico. Esse documento será encaminhado ao ministro Jonathan de Jesus, relator do processo no TCU. Ele é o responsável por conduzir a apuração sobre a atuação do Banco Central no caso.
A inspeção busca esclarecer pontos considerados sensíveis. Entre eles, estão os critérios que levaram à liquidação do Banco Master e as avaliações feitas pela autoridade monetária ao longo do acompanhamento da instituição.
Liquidação considerada precipitada
O ministro Jonathan de Jesus já havia solicitado esclarecimentos formais ao Banco Central. O pedido atendeu a requerimentos do Ministério Público junto ao TCU e da liderança da minoria na Câmara dos Deputados. Na ocasião, o relator classificou a liquidação do banco como precipitada.
No relatório enviado ao tribunal, o Banco Central descreveu a trajetória do Banco Master desde os primeiros alertas. Segundo o documento, a instituição adotava uma política agressiva de captação de recursos, oferecendo CDBs com rentabilidade de até 140% do CDI. Essas taxas, conforme o BC, estavam muito acima das praticadas pelo mercado.
Com o tempo, de acordo com a autoridade monetária, o banco teria perdido a capacidade de honrar seus compromissos financeiros. Esse cenário levou à decisão pela liquidação, após o esgotamento das alternativas de recuperação.
Agora, com a inspeção técnica, o TCU pretende confrontar os documentos internos com as conclusões apresentadas. Assim, o tribunal busca avaliar se os procedimentos adotados pelo Banco Central seguiram os parâmetros legais e regulatórios.
