Taís Araujo disse estar “triste” com os rumos de Raquel no remake da novela “Vale Tudo”. Depois de abrir o próprio negócio e enriquecer, a personagem volta à pobreza e passa a vender sanduíches na praia. A virada, concebida por Manuela Dias, contraria a expectativa de uma trajetória ascendente e contínua. Segundo a atriz, isso “frustra” porque seria a chance de mostrar, com força, uma mulher negra que ascende pelo trabalho e permanece nesse lugar.
O que mudou no enredo e por que isso incomoda
Na versão de 1988, vivida por Regina Duarte, Raquel seguia rica até o fim. Agora, porém, o remake aposta no retorno à luta diária. Para Taís, a narrativa ideal seria outra. Ela afirma que desejava ver conflitos éticos mais robustos, inclusive à altura de embates com Odete, e não uma volta à sobrevivência.
Além disso, a atriz relatou que lê os comentários do público e entende a decepção de quem esperava um desfecho mais vitorioso. “Confesso que fico triste e frustrada”, disse em entrevista à revista Quem.
Ainda assim, a intérprete garante que vai até o último capítulo defendendo a protagonista. Conforme explicou, essa postura também é um gesto de respeito às mulheres que Raquel representa. “Acredito nessa mulher negra que trabalha, sustenta a família e é competente.” A novela termina em outubro e, de acordo com Taís, restam pouco mais de dez capítulos para gravar. Enquanto isso, ela torce para que “a vida devolva a Raquel o que ela dá para a vida”.
O debate sobre representatividade ganhou tração desde os primeiros capítulos do remake. De um lado, a decisão da autora buscaria ampliar o realismo social e tensionar a trama. Do outro, artistas e espectadores reivindicam histórias de ascensão que se sustentem até o final.
Assim, o conflito criativo sai da dramaturgia e ecoa fora da tela, alimentando discussões sobre quais caminhos a TV deve priorizar. Por fim, a recepção do público nos próximos capítulos ajudará a medir o impacto da escolha.