Publicado originalmente em 1900, “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, segue como um dos romances mais enigmáticos da literatura brasileira. A história do triângulo amoroso entre Bentinho, Capitu e Escobar continua a despertar debates e interpretações, consolidando sua relevância ao longo de 125 anos.
A trama gira em torno da dúvida: Capitu traiu ou não Bentinho? A suspeita do protagonista sobre a paternidade de seu filho, Ezequiel, e a possível traição com seu amigo Escobar conduzem a narrativa, deixando o leitor entre a versão de um marido traído ou a obsessão de um ciumento contumaz.
Machado constrói sua obra sob a ótica de Bentinho, sem oferecer provas definitivas da infidelidade de Capitu. Essa ambiguidade fez com que “Dom Casmurro” atravessasse gerações como um dos livros mais discutidos da literatura nacional.
Um clássico que se renova
A profundidade psicológica dos personagens e a narrativa confessional do autor fazem com que a história continue relevante. Se Capitu fosse uma mulher do século 21, talvez usasse as redes sociais para rebater as desconfianças do marido e mudar o rumo da história. A falta de uma versão direta da protagonista abre espaço para diversas interpretações e releituras.
Machado de Assis, considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa, faleceu em 1908, deixando um legado literário que transcende seu tempo. “Dom Casmurro”, com sua escrita refinada e análise da natureza humana, segue intrigando leitores e confirmando a genialidade do Bruxo do Cosme Velho.